
Do ATUAL
MANAUS – Passados dez meses deste ano, marcado pelo maior controle da pandemia de Covid-19 e aumento da vacinação, o número de mortes no Amazonas já é no mesmo patamar anterior à crise sanitária no país.
Levantamento nos Cartórios de Registro Civil do Estado mostra que foram registradas 14.154 mortes entre janeiro e outubro de 2022, número 0,6% maior que os 14.059 ocorridos de janeiro a outubro de 2019, antes da chegada da Covid-19.
Os dados são do Portal de Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), abastecido em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos dos 7.658 Cartórios de Registro Civil, presentes em todos os 5.570 municípios brasileiros. As informações são cruzadas com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que usa como base os próprios cartórios brasileiros.
Na comparação de 2022 com os números dos anos em que a pandemia esteve no auge no país, verifica-se uma redução de 36% em relação ao ano passado, que totalizou 22.164 mortes, e de 17% em comparação a 2020, com 17.113 óbitos.
Sequelas da Covid

Com o aumento da vacinação e o maior controle da pandemia, a Covid-19 deixou de liderar o ranking de mortes por doenças no estado, apresentando queda de 93,4% entre janeiro e outubro de 2022 em relação ao ano passado.
Em 2021, no período analisado, foram registradas 6.730 mortes causadas pelo novo coronavírus frente a 443 neste ano. Mas outras doenças, algumas delas relacionadas a sequelas da Covid, passaram a registrar crescimento diferenciado no país.
“No Amazonas, percebemos que a Covid caiu drasticamente, contrapondo-se com outras doenças como SRAG e septicemia [infecção generalizada] que apresentaram aumento. Os dados podem direcionar os Poderes Públicos no planejamento de controle e prevenção dessas enfermidades”, disse Leonam Portela, presidente da Arpen-AM (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais) e diretor da Anoreg-AM (Associação dos Notários e Registradores).
Um número que chama atenção no levantamento diz respeito ao número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Comparando 2019 e 2022, houve um salto de 580% nos registros de óbitos por essa doença respiratória.
Em números absolutos, foram contabilizadas 211 mortes por SRAG nos 10 primeiros meses deste ano frente a 31 registros para o mesmo período de 2019. Mas em relação ao ano passado, houve diminuição de 76,8% no número de mortes, quando houveram 912 registros de mortes por esta doença.
Outra doença que apresentou crescimento neste ano foram as mortes por septicemia, que registraram aumento de 17,2% de janeiro a outubro de 2022 em relação ao mesmo período de 2019.
Neste ano foram computadas 1.534 mortes causadas pela infecção generalizada grave do organismo, enquanto em 2019 foram 1.308 óbitos no mesmo período. Já nos anos auge da pandemia, 2021 e 2020, foram catalogados 1.544 e 1.391 óbitos, respectivamente, por este tipo de doença, o que representa uma redução em 2022 de 0,6% em relação a 2021 e de 21,9% em relação a 2020.
