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MANAUS — O “morango do amor”, sobremesa que mistura morango fresco, brigadeiro branco e caramelo crocante, se tornou viral nas redes sociais e confeitarias de todo o Brasil. Apesar do sucesso comercial, o nutrólogo Ronan Araújo alerta para os riscos do consumo frequente desse doce que pode provocar picos elevados de glicose e desencadear processos inflamatórios no organismo.
Segundo o especialista, embora uma unidade ocasional não prejudique a saúde o hábito repetido pode aumentar a resistência à insulina e favorecer o acúmulo de gordura visceral, especialmente em pessoas com predisposição a distúrbios metabólicos.
“As pessoas veem fruta e pensam que estão comendo algo leve. Mas, na prática, esse doce é um verdadeiro pico de glicose com uma combinação de açúcar refinado, gordura saturada e corante artificial, ingredientes que juntos disparam a inflamação, aumentam a resistência à insulina e favorecem o acúmulo de gordura visceral”, diz.
Ronan Araújo cita que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o consumo de açúcares livres não ultrapasse 10% das calorias diárias, com meta ideal inferior a 5%. Uma única unidade do “morango do amor” pode conter até 20 gramas de açúcar refinado, o que corresponde a mais da metade desse limite.
“Não é um doce que vai comprometer sua saúde, mas sim o hábito repetido, disfarçado de inofensivo, que se acumula ao longo do tempo. O problema não está em um morango com cobertura, está em transformar isso numa rotina”, explica.
Para pessoas que estão em processo de emagrecimento, controle hormonal ou que enfrentam doenças inflamatórias, como obesidade, síndrome metabólica ou lipedema, o consumo frequente de sobremesas muito açucaradas pode ser prejudicial, alerta o especialista.
Como alternativa, Ronan sugere adaptações na receita para reduzir o impacto metabólico, como a substituição por chocolate meio amargo e a diminuição da quantidade de caramelo. O objetivo, segundo ele, é preservar o prazer da sobremesa sem comprometer a saúde.
“Meu trabalho não é tirar o prazer das pessoas. É mostrar que é possível comer bem, com sabor, mas com escolhas que respeitam seu metabolismo. Porque saúde de verdade começa com consciência e continua com boas decisões todos os dias”, conclui.
Ronan Araujo é médico formado pela Universidade Cidade de São Paulo e especialista em nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia). É membro da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e dedica sua atuação a promover mudanças de hábitos que resultem em emagrecimento saudável e melhor qualidade de vida.
