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Augusto Barreto Rocha

Modal aéreo uma necessidade para o Amazonas

3 de dezembro de 2018 Augusto Barreto Rocha
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A infraestrutura de transportes é anterior a atividade econômica. Esta premissa leva a muitas derivações, pois contraria o senso comum, prescritor da construção de infraestrutura onde há mais atividades econômicas, sendo este o discurso para priorização das regiões mais desenvolvidas em detrimento das regiões periféricas, que ficam condenadas ao subdesenvolvimento. O que há de prioritário para o Amazonas são as rodovias. Logo em seguida é o modal aquaviário. Entretanto, o modal aéreo é, na minha opinião, a terceira prioridade. Por quais razões? Este texto objetiva esclarecer brevemente a base de meu pensamento.

As distâncias dentro do Amazonas são enormes e as oportunidades tão grandes quanto o afastamento entre a capital e o interior. Como o potencial econômico do estado envolve a biodiversidade, bionegócios, floresta, minério ou turismo, e muitas são as possibilidades a serem transformadas em riquezas. Tudo será gigantesco ou nulo, conforme a acessibilidade de cada localidade.

Das montanhas aos mergulhos, há uma diversidade maravilhosa para o turismo. Entretanto, o turismo moderno é ágil, porque as pessoas com maior poder aquisitivo não conseguem ficar muito tempo longe dos seus afazeres profissionais. Assim, o olhar para o tempo de viagem é decisivo na seleção do destino. Se as férias são de uma semana ou dez dias, não fará sentido gastar três dias viajando, uma vez que três dias de ida e três de volta transformarão as férias em um martírio. Desta forma, voos frequentes são fundamentais para a atração de turistas do mundo. Desde turistas de Manaus até turistas da Nova Zelândia.

Em cada uma das grandes calhas de rio do estado, como no Rio Negro, Rio Madeira, Rio Amazonas, Rio Japurá etc. deveriam existir aeroportos a cada 500km. Aeroportos interligados com os portos das hidrovias e com estradas nos municípios de interior, com hotéis destinados ao turismo. Cada região pode ter um polo de desenvolvimento sustentável, com a atração de negócios responsáveis com a floresta, reservas e parques nacionais, com a possibilidade de implantação de centros de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P&D+I) para os produtos daquela localidade. Se há pesca esportiva, também podem haver peixes ornamentais, também pode haver uma indústria de apoio à pesca, também pode haver uma produção de peixes em cativeiro, também pode haver naquela localidade uma produção de artesanato e arte destinadas ao mercado local, nacional e global, destacando sua beleza e características que a torna única. Tudo isso somente será possível se for rápido sair dali para o mundo.

Um voo do interior do Amazonas para Manaus, com conexão rápida para São Paulo, Panamá ou Miami e vice-versa, permitirá, para todo o interior o acesso ao mercado de turismo global. Falar em turismo no interior do estado sem ter os voos para acesso rápido às localidades, transforma a possibilidade de turismo em um engodo. Ademais, são necessários hotéis e um conjunto expressivo de atrações turísticas, para que o visitante tenha o que fazer por pelo menos cinco dias. Se não houver atividades para este período, será uma impossibilidade a atividade turística, pois o local não valerá a pena no olhar de quem vem de longe. E quanto mais local for, mais exótico e interessante será pelo olhar do visitante. Quem vai ao interior da Itália quer comer massa artesanal e quem vem ao interior do Amazonas, preferirá um peixe que ele mesmo pesque. As iguarias e atrações devem ser locais e amadas por seus moradores, para serem apreciadas pelos visitantes.

Em outra vertente, uma atividade produtiva demandará acessibilidade ampla aos grandes centros de negócios. No nosso caso, isso significará chegar rápido a Manaus, Brasília ou São Paulo. Para fazer negócios, os executivos de compras, vendas ou gestão, precisam chegar rápido aos centros econômicos regionais e nacionais, com voos frequentes e conexões imediatas. Muito superior aos demais modais, aviões possuem velocidade, mas é importante a complementaridade e integração com os outros meios de transporte. Assim, perto de cada cidade há de haver algumas estradas, que podem estar no entorno da localidade e não precisam ir muito longe, porque é essencial que o interior não tenha cidades de grande porte, pelo bem da floresta.

Cada cidade deve possuir seu próprio Conselho de Desenvolvimento com seus moradores, apoiados por cientistas e especialistas que garantam a preservação do ecossistema único daquele interior. Enquanto não retirarmos da profundeza estes interiores, com fácil acessibilidade e mobilidade, será impossível desenvolver o Amazonas. Precisamos reconhecer as enormes distâncias e aproximar o interior da capital e apenas o transporte aéreo permite esta possibilidade. Manaus já está estrategicamente localizada no mapa do Amazonas, com um aeroporto grande e estruturado, pronto para receber uma quantidade expressiva de voos, com acesso fácil às cidades que interessam para os turistas e para os negócios. Isso já é um lado, mas precisa ser desenvolvido o outro lado. Aeroportos estruturados no interior são uma das chaves que precisam ser ligadas para o desenvolvimento do Amazonas.

O que precisa ser feito? Aeroportos a cada 500km de rios, nas sedes dos maiores municípios de interior. Lugares para instalação de hotéis no interior, cercados de atrações de interesse turístico. Centros de P&D+I em cada uma destas cidades, voltados para as vocações daquela localidade e tudo aquilo que a torna única. Liberdade e regras fáceis para a construção de empreendimentos empresariais que usem os recursos locais de maneira sustentável. A infraestrutura de transporte é anterior ao desenvolvimento. Este é o caminho para o modal aéreo: uma integração rápida com o mundo, associado com as atividades econômicas que geram viagens.

As ferrovias e dutovias serão abordadas nos próximos textos, que concluirão esta série de artigos que analisa as prioridades para a infraestrutura de transporte no Amazonas, onde este foi o quarto texto.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, Logística, modal aéreo
Cleber Oliveira 3 de dezembro de 2018
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