
Por Cícero Cotrim e Mateus Maia, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira (6) que não é verdade que os juros são altos no Brasil porque o governo gasta muito. Ele afirmou que a taxa de juros é alta, mas é preciso distinguir razões para isso. Ele participou do programa Bom dia, ministro, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).
“Do lado do Ministério da Fazenda, a conta pública tem melhorado ano a ano. Então a gente zerou o déficit em 2024, manteve o déficit zerado em 2025 e estamos mirando superávit a partir de 2026 e 2027”, afirmou.
Durigan declarou que os juros elevados explicam o contexto das dívidas da população, mas a inadimplência explica mais o assunto. Para ele, hoje, o que mais pressiona a política monetária é a guerra e as medidas do governo para combustíveis ajudam a política monetária.
“Hoje o que mais afeta a taxa de juros no país são questões externas. Veja que todo o debate público é a guerra que tem desajustado a economia do mundo, fazendo com que preços aumentem e isso coloca pressão na inflação”, completou.
Jornada 6×1
Dario Durigan disse que é preciso reconhecer o ganho de produtividade com o fim da jornada 6×1 e afirmou que não cabe nenhuma compensação às empresas por conta da redução da carga semanal de trabalho.
“Eu digo o seguinte, 40 horas por semana, com dois dias por semana, sem redução de salário e sem compensação com benefício fiscal. Não cabe dizer aqui que o Estado tem que indenizar o empresário. Agora, cabe, sim, discutir transições para casos específicos”, afirmou.
Durigan disse ainda que grande parte das pessoas está à beira de um burnout e é preciso considerar a realidade do trabalho ao avaliar a escala. Segundo ele, só 3 em cada 10 brasileiros estão na escala 6×1, mas 80% deles é quem ganha até dois salários mínimos.
“O que eu sinto do trabalho hoje, da realidade do trabalho das pessoas, é que está todo mundo próximo do burnout. Porque, claro, as pessoas estão aumentando a sua produtividade”, completou.
Combustíveis
O ministro da Fazenda disse também que, à medida que a guerra no Oriente Médio avance, o governo pode adotar novas medidas de combustíveis. “À medida que a guerra for avançando, a gente vai adotando a medida com aquela premissa. O Brasil não é sócio da guerra, nós vamos ajudar o nosso povo”, afirmou.
Durigan afirmou que o governo prepara um estímulo para adimplentes do Fies, que teve uma linha no Novo Desenrola. Além disso, a nova fase do programa não terá renegociação para dívidas com contas básicas.
Por fim, declarou que tem debatido com o Senado para reabrir uma linha de crédito para renegociar dívidas de agricultores de renda média ou alta. O agronegócio diz precisar de mais de R$ 100 bilhões para ajudar com dívidas rurais.
“Eu tenho liderado o debate com a senadora Tereza, com o senador Renan Calheiros, para a gente abrir, reabrir uma linha para os agricultores de média e maior renda, para a gente, de novo, tratar de quem não conseguiu entrar na última linha de R$ 7, R$ 7,5 bilhões”, completou.
