
Da Agência Gov
BELÉM – As discussões na COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Belém, devem incluir formas de financiamento para os territórios indígenas, afirmou a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas) em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra desta quinta-feira (13) transmitido pelo Canal Gov, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), direto da capital paraense.
Sônia Guajajara afirmou que os territórios são comprovadamente os mais preservados e detêm a maior biodiversidade, graças à forma de vida sustentável dos povos indígenas. São 3,4 mil indígenas presentes em Belém para os debates na COP30.
“Eu espero que haja uma visão maior, mais real, sobre a proteção da Floresta Amazônica, porque proteger a floresta não é somente proteger as árvores, mas é conhecer mais sobre quem vive aqui e quem protege. O legado maior dessa COP é a ampliação dessa visão e também da compreensão de que quem está aqui tem sofrido ameaças, violências, violações e uma pressão muito grande para a exploração de toda essa riqueza”, disse e jornalistas de várias regiões.
“A gente espera que o mundo olhe para a Amazônia a partir de agora com esse olhar de cuidado, de apoio e também do financiamento, porque quem está aqui também precisa desse financiamento para continuar protegendo todo o planeta”, acrescentou a ministra
Nesse sentido, Sonia Guajajara citou o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que reserva 20% dos recursos repassados a cada nação com florestas tropicais diretamente para os povos indígenas e comunidades locais.
O objetivo do fundo é captar recursos de países e da iniciativa privada, pagando juros baixos, para depois usar o diferencial desses rendimentos para remunerar os países que mantêm florestas tropicais em pé. A meta inicial é levantar cerca de 25 bilhões de dólares junto a governos, com potencial para ultrapassar os 100 bilhões de dólares com a entrada do setor privado.
Essa iniciativa se deu por conta da constatação de que apenas 1% do 1% que chega em cada país, dos recursos destinados, anunciados no âmbito da COP, é o que chega para os povos indígenas. Aqui (na COP) se anuncia os bilhões. Disso, 1% chega no país, e do 1% que chega, apenas 1% vai para os territórios. Então, isso é muito injusto”.
“E o Brasil liderou essa iniciativa para ter uma participação, um acesso maior. A garantia é que o país quando recebe o recurso, ele assina uma carta-compromisso de repassar os 20%. Se ele não repassa, ele vai ter que prestar contas e não recebe os 100% no ano seguinte”, explicou.
Segundo a ministra, a ideia é que os recursos sejam geridos por meio de um comitê global com todos os países que têm florestas tropicais para poder fazer todo o planejamento, a destinação. Mas que cada país vai ter um comitê para definir como serão feitos os repasses.
Protagonismo
A delegação brasileira conta com a maior participação indígena da história, com 360 representantes de todas as regiões do país credenciados para a Zona Azul da conferência, espaço oficial e restrito onde ocorrem as negociações diplomáticas entre os países e delegações credenciadas, sendo organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“Nós já temos 900 indígenas credenciados de todo o mundo. Só do Brasil são 360 aqui na Zona Azul. Nós temos 3,4 mil indígenas já confirmados na Aldeia COP. Na Zona Verde, nós temos também o nosso pavilhão do Círculo dos Povos, com agendas acontecendo ali diariamente”.
A participação indígena está sendo ampla, estamos em todos os espaços, também nas salas de negociações. A gente entende que esta COP não é somente uma presença física, mas também estamos conseguindo trazer a pauta indígena para o centro do debate global”, afirmou a ministra
Para a maior e melhor participação indígena da história das conferências do clima, o Ministério dos Povos Indígenas criou a Aldeia COP na Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de alojamento, o espaço contará também com atividades culturais, políticas e espirituais durante o evento.
