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Política

Mesmo com oposição de empresários, fim da escala 6×1 é inegociável, diz ministro

21 de janeiro de 2026 Política
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Projeto aprovado é substitutivo do deputado Guilherme Boulos (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)
Ministro Guilherme Boulosdiz que fim da escala 6×1 é ‘inegociável’ para o governo Lula (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)
Por Gabriel de Sousa, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA- O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (21) que o projeto que reduz a jornada de trabalho 6×1 está “avançando muito bem” com setores do Congresso. Segundo o ministro, há uma possibilidade de o tema ser votado ainda neste semestre.

Prioridade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o fim da escala 6×1 possui duas frentes no Congresso. Há quatro Propostas de Emendas à Constituição (PEC) sobre o tema, sendo que a mais antiga, de 2015, teve o parecer, que determina um período de transição gradual até a jornada máxima de 36 horas semanais, aprovado no final do ano passado. Já na Câmara, uma PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) espera uma análise da Comissão de Trabalho.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Boulos disse que a proposta enfrenta forte oposição de grandes empresários, mas que não haverá recuo do governo em pautar o tema. Segundo o chefe da Secretaria-Geral, esse é um tema “inegociável” para Lula.

“Os empresários resistem como sempre resistiram a qualquer direito de trabalhador. Os latifundiários do século 19 resistiram à Lei Áurea. Se dependesse deles, era escravidão até hoje. Quando Getúlio Vargas criou o salário mínimo, eles diziam que ia ser um caos e que as empresas iriam embora do Brasil. Quando ele criou a CLT, com 13º, férias remuneradas, jornada de oito horas, diziam que iriam gerar desemprego e seria um tiro no pé do trabalhador”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral.

Porém, Boulos admitiu que, com a correlação de forças no Congresso e a atuação das empresas, a perspectiva do governo é diminuir a escala de trabalho para cinco dias trabalhados e dois de repouso, deixando de lado a proposta de quatro dias de jornada presentes no texto inicial da PEC de Erika Hilton.

“O poder de lobby, o poder de fogo dos grandes empresários e de quem ganha com a exploração do trabalhador é gigantesco nesse País. É muita grana, é muita gente herdeira que fica defendendo escala 6×1 para os outros, mas está lá no jantar com caviar e champanhe. É muita gente dizendo ah, o povo tem que trabalhar, mas nunca trabalhou na vida”, disse Boulos.

O ministro da Secretaria-Geral também defendeu um modelo de transição e adaptação da redução da jornada de trabalho para que ela não afete pequenos empresários. Na entrevista, ele atacou a taxa de juros e pediu nominalmente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a redução da Selic, argumentando que este seria o principal obstáculo para os pequenos e médios produtores.

“Parte do problema que vai aliviar os pequenos, os médios e até os grandes empresários do Brasil é a redução da taxa de juros escorchante, injustificável, de agiotagem que a gente tem no Brasil. Não tem o que justifique juro de Selic a 15% ao ano, pode vir qualquer economista liberal aqui com o seu papinho”, afirmou Boulos.

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Assuntos congresso nacional, Guilherme Boulos, jornada 6x1, Jornada de trabalho
Cleber Oliveira 21 de janeiro de 2026
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