
MANAUS – O governador José Melo (Pros) descartou, na manhã desta quinta-feira, 23, o afastamento do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Gilberto Gouvêa e do delegado-geral de Polícia Civil, Orlando Amaral, em função dos assassinatos em série ocorridos no Amazonas no último fim de semana. O afastamento foi sugerido pelo especialista em segurança pública, Diógenes Lucca, de
São Paulo, em entrevista à Globo News, na segunda-feira, 20. Lucca disse que tinha informações de bastidores sobre o que ocorreu em Manaus a afirmou que o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, deveria afastar os comandos das duas polícias. “Eu acho que deve haver uma mudança significativa das cadeiras, trazer um novo staff, um novo comandamento para o secretário poder estabelecer uma relação de confiança, partir pra uma investigação muito séria e determinada, envolvendo a corregedoria e outros órgãos, como o Ministério Público e o próprio Poder Judiciário”, disse Lucca.
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Questionado sobre o assunto, durante o evento de assinatura do marco regulatório da pesca manejada do pirarucu no Amazonas, o governador José Melo respondeu: “Eu não sei que especialista é esse pra falar um negócio desses. É a mesma coisa que alguém chegasse e disse: ‘o professor Melo praticou dez crimes e precisa ser afastado do cargo’. Não! Primeiro prove que eu pratiquei esses crimes. Eu acho que vivemos em um país democrático, de estado de direito e que se impõe a cada um de nós o dever de esclarecer. Uma vez esclarecido, quem tiver suas culpas que pague por elas”.
O governador também creditou parte da violência do último fim de semana ao trabalho que a polícia vem fazendo de combate ao tráfico de drogas. “À medida que nós estamos apreendendo drogas toda hora, inclusive lá na fronteira, juntamente com a Polícia Federal e as Forças Armadas, estamos ferindo de morte uma atividade econômica muito forte. E isso tem uma certa reação em cadeia”, afirmou.
Melo repetiu o discurso do secretário de Segurança Pública e afirmou que a ação em cadeia “nos pegou desprevenidos”. “Nós não imaginávamos que aquilo pudesse acontecer, mas serviu de lição, serviu pra gente aprimorar os processos e melhorar as coisas”.
Sobre a suspeita de envolvimento de policiais civis e militares nos crimes, o governador disse que serão punidos se as investigações comprovarem. “Como o Dr. Sérgio já falou e todos nós já falamos, nenhum de nós, nem o governador, nem qualquer cidadão e nem qualquer policial está, quando comete um crime, de pagar pelos seus crimes. Todos têm que pagar, mas isso aí é uma coisa que está sendo investigado, tem uma força-tarefa tratando disso, e quando tiverem o resultado, as punições, se forem o caso, acontecerão”.
Até o momento, ninguém foi preso pelos 38 assassinatos registrados de sexta-feira da semana passada a segunda-feira desta semana.
