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Dia a Dia

MEC avalia usar IA na correção de provas do Enem, diz ministro

4 de junho de 2025 Dia a Dia
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Enem
Prazo de inscrição no Enem 2025 termina na sexta-feira, dia 6 (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
Por Carolina Ercolin e Haisem Abaki, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – O ministro da Educação, Camilo Santana, acredita que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em breve será corrigido por inteligência artificial (IA). Em entrevista à Rádio Eldorado nesta quarta-feira (4), ele afirmou que “não há mais retorno” com relação às novas tecnologias.

“Eu não tenho dúvida que a tecnologia vai trabalhar isso com a maior certeza. Daqui a pouco, nós vamos conseguir corrigir a prova, vamos conseguir fazer tudo com inteligência artificial”, disse, ao ser questionado sobre a possibilidade da correção do maior exame do país.

O prazo de inscrição para o Enem termina na sexta-feira (6). As provas serão nos dias 9 e 16 de novembro. Para quem não tem isenção, a inscrição custa R$ 85.

Pela primeira vez, neste ano, alunos do 3º ano do ensino médio da rede pública estão automaticamente pré-inscritos, precisam apenas validar a inscrição no site do MEC. A prova também vai voltar a valer como certificação para quem ainda não concluiu o ensino médio.

Atualmente, as 180 questões de múltipla escolha são já corrigidas usando uma tecnologia que lê o cartão resposta com o gabarito, mas as redações passam por professores avaliadores. Eles analisam os textos digitalizados em critérios como domínio da escrita, argumentação e compreensão da proposta. As notas variam de zero a 1 mil.

No mês passado, o governo de São Paulo anunciou que parte das tarefas dos alunos das escolas estaduais seriam corrigidas por IA, em um projeto piloto. Segundo a Secretaria da Educação, o assistente de correção por inteligência artificial compara a resposta do estudante com a resolução esperada, elaborada por um grupo de professores, e diz se a questão foi respondida de forma correta.

A correção por IA vai ser usada em questões dissertativas, respondidas em um aplicativo da secretaria da educação. A gestão atual tem implementado nas escolas estaduais aulas e lições por meio de ferramentas tecnológicas. Em 2023, o secretário Renato Feder anunciou que não mais usaria livros didáticos impressos, mas voltou atrás depois de repercussão negativa.

Segundo Camilo, o MEC vai lançar este ano um aplicativo que já usa inteligência artificial para que os estudantes possam estudar para o Enem. “A ferramenta vai tirar dúvida, corrigir, (o aluno pode) fazer questionamentos. A gente precisa usar essas ferramentas, mas nós temos que ter o cuidado porque a inteligência artificial precisa ser voltada para a formação cidadã”, afirmou.

Além disso, o MEC tem discutido com o Conselho Nacional de Educação (CNE) novas diretrizes curriculares que incluam a IA. “Queremos que todo aluno e todo aluno tenha acesso ao computador, à internet nas escolas, às plataforma digitais, porque esse é o mundo atual e não haverá mais retorno em relação a isso”.

Educação a distância

Questionado sobre as novas regras para educação a distância no ensino superior, cujo decreto presidencial foi publicado no mês passado, Camilo afirmou que ainda está aberto a mudanças. O ministério tem sido cobrado por entidades da razão de ter permitido que alguns cursos da área da Saúde, como Farmácia, Medicina Veterinária e Fonoaudiologia, tenham sido autorizados a oferecerem parte do currículo a distância. Enquanto outros, como Medicina, Psicologia, Enfermagem e Odontologia, precisam ser 100% presenciais.

“Claro que têm notas técnicas mostrando qual motivo dessas decisões. Tem também a tradição desses cursos já não serem à distância já há algum tempo, então foram mantidas. Mas eu tenho recebido demandas das entidades de classe, e nós estaremos sempre abertos para fazer correções ou mudanças ou melhorias”, afirmou.

Camilo afirmou que o curso de Farmácia, que hoje é permitido semi presencialmente, é um dos que poderiam sofrer modificações, sem detalhar.

Segundo o ministro, o MEC também vai “deixar mais claro” que, no caso das Licenciaturas, terão que ser garantidas 50% das aulas presenciais. O impasse se deu porque, apesar das diretrizes curriculares, já aprovadas no ano passado, estabelecerem esse mínimo, o decreto permitiu mais flexibilidade.

As Licenciaturas foram incluídas na modalidade semipresencial que indica que 30% devam ser presenciais e outros 20% do currículo possam ser ofertados a distância, desde que no modelo síncrono (aulas ao vivo). “Eu defendo que fique 50% presenciais, precisamos dar um foco para garantir uma boa formação”, afirmou o ministro.

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Assuntos Camilo Santana, enem, IA, MEC
Cleber Oliveira 4 de junho de 2025
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