
A cidade de Manaus completa 354 anos neste 24 de outubro. A maior cidade da Amazônia ainda espera um gestor que cuide dela e de seu povo com carinho, respeito e responsabilidade.
Segundo os dados do IBGE, Manaus tem um pouco mais de 2 milhões de habitantes, tornando-se a sétima maior capital do país e a maior da Região Norte. Uma cidade que continua em crescimento desordenado, como sempre e sem um planejamento urbano por parte de gestores.
Em véspera de eleição, os governantes estadual e municipal anunciam planos de construção de moradias para atender um déficit de mais de 100 mil habitações. Até agora nenhuma casa foi construída e tudo indica que somente sairá em função da política do programa Minha Casa Minha Vida, que voltou no Governo Lula.
Uma cidade que abandona a área histórica não tem memória e zelo pelo seu patrimônio histórico e cultural. O Centro Histórico de Manaus está aguardando as prometidas revitalizações, para se transformar em espaço turístico, cultural e gastronômico. Um lugar belo para a apreciação das famílias e dos turistas.
Manaus era para ser a cidade mais verde do país. Deveria, mas não é. Cada dia, com a complacência e “autorização” do Poder Público, menos florestas, menos árvores, menos pássaros, menos igarapé, menos praças. Por outro lado, mais cimento, mais concreto, mais obras desfigurantes. Uma cidade em plena Amazônia sem parques e bosques. Ou seja, sem verde.
Triste ver que Manaus acabou com todos seus igarapés. Todos viraram esgoto. Depois de 23 anos de contrato, a empresa privatizada de Saneamento, não cumpriu sua obrigação contratual de garantir coleta e tratamento de esgoto. E o poder público não reage quanto a isso. E a empresa se mantém sem pressão da sociedade.
Na entrada de Manaus tem uma montanha de lixo. É o aterro que virou um monstro horrendo. Cartão postal negativo da cidade. E nada dos gestores cumprirem lei de resíduo sólido, com coleta seletiva e reciclagem. Mas estão assistindo interesses privados cometerem crimes ambientais mais adiante.
A cidade espera, há muito tempo, ações que garantam a mobilidade urbana. O sistema de transporte coletivo foi abandonado, em detrimento do transporte individual, altamente perigoso. Nas grandes cidades o transporte de massa é a prioridade, mas aqui até hoje não saiu o BRT e precisaria começar o VLT. Os governantes daqui sabem o que é isso?
A cidade acolhe a todos, pessoas de fora, do exterior, da casa. Mas precisa cuidar de todos. Cuidar da saúde (hoje somente 50% da cidade tem atenção básica); da educação (um terço das escolas são instalações precárias alugadas); assistência social (falta CRAS e CREAS); esporte e lazer (quadras abandonadas e praças que viraram mercado).
Manaus ainda está a procura de um gestor que cuide dela e de seu povo. Que cuide dos bairros, do lugar de moradia, que haja com transparência, que consulte o povo e preste contas, que se preocupe com a vida e não com numerários e homenagem aos seus.
Mesmo assim, o povo é alegre e perseverante, lutador e destemido. Tem esperança e amor no coração.
Parabéns, Manaus. A luta continua!
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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