
Do ATUAL
BRASÍLIA — Às vésperas da 30ª COP30 (Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima), um relatório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, divulgado na terça-feira (28), mostra que 56 dos 64 países que enviaram suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) incluíram compromissos específicos aos direitos de crianças e jovens. O índice representa 88% dos países, um avanço em relação ao ciclo anterior, quando apenas 61% mencionavam o tema.
As NDCs são documentos oficiais nos quais cada governo detalha suas metas e estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa e enfrentar os impactos da mudança do clima, conforme estabelecido no Acordo de Paris. Essas propostas servem de base para as negociações que ocorrerão na COP30, em novembro, em Belém (PA).
De acordo com o relatório, 79% dos países que incluíram o tema destacaram como prioridade engajar e empoderar crianças e jovens nas ações climáticas. Outros 77% preveem medidas específicas de participação — como atividades educativas, apoio a iniciativas lideradas por jovens e coleta de dados desagregados por faixa etária. E 57% afirmaram ter envolvido diretamente crianças e jovens na elaboração de suas NDCs.
Segundo o especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Brasil, Danilo Moura, a inclusão representa um avanço importante. “As NDCs são o principal mecanismo criado pelo Acordo de Paris para cumprir o objetivo de limitar o aumento da temperatura causado pelas mudanças climáticas”, afirmou.
O Unicef ressalta que a crise climática afeta de forma desproporcional a infância e a adolescência. Cerca de 1 bilhão de crianças vivem hoje em áreas com risco extremo de eventos climáticos, como secas, enchentes e ondas de calor. No Brasil, são 40 milhões de crianças e adolescentes, o equivalente a 60% da população nessa faixa etária, expostos a mais de um risco climático ou ambiental.
Em 2024, crises ambientais interromperam os estudos de 250 milhões de crianças em 85 países. No Brasil, pelo menos 1,17 milhão ficaram sem aula no período, por causa de enchentes e secas.
Durante a COP30, o UNICEF pretende reforçar o apelo para que políticas e financiamentos climáticos considerem o impacto da crise sobre a infância e a adolescência, com foco em educação ambiental, proteção social e participação efetiva de jovens nos espaços de decisão.
