
Por Gabriela da Cunha e Roberta Jansen, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O número de brasileiros que têm um celular alcança praticamente 90% da população. Mas há uma exceção: crianças de 10 a 13 anos são o único grupo etário a registrar queda no indicador. Da mesma forma, é também a única faixa etária a registrar queda no acesso às redes sociais.
Os novos dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Entre 2024 e 2025, a parcela de crianças nessa faixa etária que possuíam celular para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2%. Com isso, esse grupo continua sendo o que apresenta a menor proporção de pessoas com aparelho entre todas as faixas etárias.
Além da posse de celular, caiu também o uso de internet por esta faixa etária. Este grupo também foi o único a apresentar queda no acesso à rede, passando de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025. Os principais motivos alegados para as crianças não acessarem a rede são falta de necessidade (33,8%) e a preocupação com privacidade ou segurança (30,3%).
“A gente vê cada vez mais uma discussão, uma preocupação com a segurança das crianças e com a exposição delas, por exemplo, às redes sociais”, afirmou o analista do IBGE Gustavo Fontes, que apresentou os novos dados. “Desde 2025 a gente vê uma restrição ao uso de celulares nas escolas e uma discussão intensa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, o ECA Digital, que neste ano entrou em vigor. Então, isso tudo pode estar influenciando”.
Os idosos, por sua vez, foram os que mais ampliaram a posse de celular no último ano. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, a porcentagem de proprietários do aparelho aumentou 2 pontos porcentuais, o maior crescimento entre os grupos analisados, passando de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.
No total, em 2025, 167,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade têm telefone móvel celular para uso pessoal no país, o que corresponde a 89,8% da população, segundo o IBGE.
Embora ainda siga sendo o grupo com menor acesso à internet, brasileiros com 60 anos ou mais registraram o maior crescimento no acesso à rede em 2025. Entre os idosos, a proporção de usuários de internet passou de 70,1%, em 2024, para 74,5%, em 2025. Em relação a 2019, o avanço foi de 29,6 pontos percentuais.
No geral, o uso da internet atingiu 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais em 2025, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas. Em 2024, esse porcentual era de 89,2%.
Os principais usos da internet incluem fazer chamadas de voz ou vídeo (95,3%), trocar mensagens de texto, voz ou imagens (90,2%), assistir a vídeos (89,3%), usar redes sociais (84,9%) e ouvir músicas, rádio ou podcasts (83,7%). Entre os usuários, 98,7% acessam a rede pelo celular.
O levantamento também mostrou que as áreas urbanas continuam com maior acesso à internet, mas a diferença em relação às áreas rurais diminuiu ao longo dos últimos anos. A distância caiu de 37,5 pontos percentuais, em 2016, para 8,5 pontos percentuais, em 2025.
