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Dia a Dia

Macron quer reconstruir Notre-Dame em 5 anos; especialistas falam em 15

16 de abril de 2019 Dia a Dia
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O monumento foi parcialmente destruído por um incêndio de grandes proporções nesta segunda, 15 (Foto: Reprodução)

Por Lucas Neves, da Folhapress

PARIS – Em pronunciamento na TV na noite desta terça-feira, 16, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse acreditar que a reconstrução da catedral de Notre-Dame, em Paris, possa ser concluída em cinco anos.

Esse prazo é muito mais curto do que o indicado horas antes pela Federação dos Construtores Especializados no Patrimônio Histórico, que fixou um horizonte de até 15 anos -e no mínimo 10.

“O que vimos na França nesta noite [de segunda] foi esta capacidade de nos unirmos para vencer”, afirmou o chefe de Estado. “Tudo o que constitui o país é vivo e, portanto frágil. Compartilho da dor, mas também da esperança de vocês. Agora é hora de agir. Agiremos e seremos bem-sucedidos.”

O monumento foi parcialmente destruído por um incêndio de grandes proporções nesta segunda, 15.

A declaração veio na esteira de insinuações de políticos da ultradireita francesa e europeia de que o fogo poderia ter sido iniciado deliberadamente, ou seja, que se trataria na verdade de um atentado -a apuração por ora caracteriza o evento como “destruição involuntária por acidente”.

Segundo Reitz, cinco empresas estavam trabalhando no canteiro de restauração da porção superior do prédio, aberto em julho de 2018. Ali ficava a flecha ou agulha, torre fina e pontiaguda que sucumbiu pouco mais de uma hora depois de as chamas começarem a se alastrar.

Quinze pessoas, de acordo com o procurador, trabalharam na obra na segunda. A jornada terminou por volta das 17h. Por isso, no momento em que o incêndio foi percebido, às 18h50 (13h50 do Brasil), já não havia operários no local.

Eles foram ouvidos pelos investigadores na terça. Reitz afirmou que houve um primeiro alerta de incidente às 18h20, mas que uma verificação subsequente não identificou fumaça ou chamas. Após um segundo alerta, às 18h43, percebeu-se que a chamada “floresta”, recinto que abriga 1.300 longas vigas de carvalho que sustentam o telhado, estava sendo consumida pelo fogo.

Apesar de o episódio ser tratado oficialmente como uma fatalidade, um contingente de 40 membros da brigada criminal (que investiga ocorrências como atentados) foi destacado para apurar se houve negligência e tentar identificar responsáveis.

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, reiterou no meio da tarde que a linha de investigação não incluía a hipótese de um atentado.
“Não se pode ser um homem político e se comprazer com teorias conspiratórias”, afirmou, após visitar o interior da catedral, em referência a uma ilação do deputado Nicolas Dupont-Aignan.

Mais cedo, uma integrante do partido ultraconservador Alternativa para a Alemanha havia relacionado o incêndio a agressões sofridas por católicos franceses recentemente e ao aumento da discriminação sofrida por fiéis no âmbito europeu.

Qualquer que seja o prazo verdadeiro, o fato é que, antes da restauração propriamente dita, será preciso montar estruturas temporárias para proteger os setores expostos da construção -dois terços do telhado desapareceram nas chamas. Assim, uma espécie de guarda-chuva gigantesco será posicionada na parte alta para proteger a igreja de intempéries.  

A conclusão dos trabalhos pode ser sem dúvida acelerada pelas doações vultosas de empresas e bilionários franceses e estrangeiros divulgadas ao longo desta terça.

Um levantamento do fim da tarde mostrava um total prometido já da ordem de 700 milhões de euros (R$ 3 bilhões), cifra que ainda não inclui o investimento público direto nos âmbitos municipal, regional e nacional.

Na terça, enquanto bombeiros seguiam trabalhando no resfriamento do edifício (o fogo foi extinto por volta das 9h, 4h no Brasil), surgiam os primeiros balanços do que foi possível salvar das chamas.

Segundo monsenhor Chauvet, arcebispo da catedral, equipes conseguiram resgatar a coroa de espinhos feita de junco e fios de ouro que chegou ao templo no século 13, por obra do então rei da França, Luis 9, mais tarde canonizado como São Luis.

Uma túnica do monarca também foi retirada a tempo, além de relíquias como um fragmento da Cruz e um prego da Paixão de Cristo. Alguns cálices e quadros pequenos completam a lista de itens recuperados.

As telas monumentais, dentre as quais havia obras do século 17, sofreram danos ligados mais à fumaça do que ao fogo. Elas serão levadas ao Louvre a partir desta sexta, 22, para passar por restauro.

Os vitrais multicoloridos que adornam a fachada ocidental e as laterais do prédio não sofreram avaria significativa, segundo o Ministério da Cultura. Alguns pedaços não resistiram ao calor e explodiram, mas a chamada Rosácea do Meio-Dia, na face sul (voltada para o Sena), parece ter sido preservada.

Trata-se de um monumental conjunto de 84 painéis divididos em quatro círculos, com imagens como as dos 12 apóstolos, de santos e mártires, mas também cenas do Novo e do Antigo Testamento. Nas extremidades, existem representações da descida ao inferno e da ressurreição de Cristo. A obra data de 1260 e tem quase 13 m de diâmetro.

O Grande Órgão instalado desde o século 13 sobre o portal da ala oeste da igreja foi parcialmente atingido. O instrumento adquiriu sua forma atual no século 18, mas ainda preserva alguns tubos da era medieval.

O problema ali, segundo o porta-voz da catedral, André Finot, não teria sido o calor das chamas, mas a pressão da água usada no combate a elas.

No fim da noite de segunda, bombeiros e autoridades de preservação do patrimônio anunciaram que a estrutura da catedral havia sido poupada.

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Assuntos Catedral de Notre-Dame, Emmanuel Macron, incêndio, reconstrução
Redação 16 de abril de 2019
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