
Por Gabriel de Sousa, Gabriel Hirabahasi e Geovani Bucci, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (8), em entrevista ao portal de notícias ICL, que vai pleitear ao PT que seja reconstruída uma frente ampla para impedir a volta do bolsonarismo ao Poder Executivo, que ele classificou como “fascista”.
“Vou pleitear ao PT a necessidade da gente reconstruir uma aliança política forte para a gente não permitir que os fascistas voltem a governar este país. Este é o papel que eu tenho para jogar agora”, disse Lula.
Lula disse que dificilmente não será candidato à reeleição, mas evitou dizer que concorrerá antes da convenção do PT, em julho. Mesmo assim, o presidente disse que o seu diferencial é ser o político mais experiente do país. “Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem neste País. Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho neste País. Essa é a vantagem de ser longevo”, afirmou.
Lula disse também que é preciso melhorar a qualidade dos políticos do País onde, segundo ele, há muita “coisa podre”. Ele também afirmou que o crime organizado conseguiu se infiltrar em diversos setores da sociedade, inclusive no setor público.
“O crime organizado está em tudo quanto é lugar, o crime organizado está na política, no futebol, na religião, está em tudo quanto é lugar”, afirmou Lula.
Terras raras
Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Segundo o presidente, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL defenderia a venda de terras raras brasileiras aos Estados Unidos, enquanto classificou como “uma vergonha” um acordo firmado por Caiado com os americanos nessa área.
“Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo”, disse Lula. “É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União”.
Segurança e defesa
Na avaliação do presidente, é necessário cautela para evitar a entrega de ativos estratégicos e recursos naturais do País. Lula afirmou que o cenário internacional impõe ao Brasil a necessidade de tratar com maior atenção os temas de segurança e defesa, diante de pressões externas e disputas geopolíticas.
“Precisamos fortalecer a indústria de defesa, um país do nosso tamanho não pode ficar sem segurança”, afirmou Lula. “Qualquer dia alguém resolve invadir a gente, tem um cidadão do mundo que acha que é imperador”, disse em indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente também avaliou que há uma tentativa de consolidação de um campo político de ultradireita no País, que, segundo ele, representa riscos ao funcionamento das instituições democráticas Lula citou críticas recorrentes ao sistema eleitoral brasileiro por parte de grupos ligados ao bolsonarismo, ressaltando que não houve comprovação de irregularidades nas urnas eletrônicas.
Ainda segundo o petista, a defesa da democracia deve ocupar posição central no debate eleitoral. Ele afirmou que pretende ampliar a discussão pública sobre o tema, destacando que o regime democrático envolve não apenas o direito ao voto, mas também a garantia de direitos sociais. Nesse contexto, mencionou a defesa do fim da escala de trabalho 6×1.
Na área de segurança pública, Lula afirmou que uma atuação mais direta do governo federal depende da definição clara das competências da União. Segundo ele, é necessário que uma legislação estabeleça esse papel de forma objetiva.
O presidente acrescentou que, com a eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o governo pretende avançar na reorganização da área. De acordo com Lula, a criação de um Ministério da Segurança Pública poderá ser anunciada na semana seguinte à aprovação da medida. “Para governo federal entrar na segurança pública, precisamos de uma lei que diga nosso papel”, disse. “Hoje, a segurança é quase toda de responsabilidade dos Estados”.
