
Da Redação, com Ascom PT
MANAUS E SÃO PAULO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o ataque dos Estados Unidos a militares do Irã é estratégica política do presidente Donald Trump, que busca a reeleição em novembro.
“Os EA precisam de inimigo sempre. Essa guerra do Trump tá me cheirando a campanha eleitoral. O discurso patriota tem uma base de sustentação que funciona, mas ele não está provocando um país qualquer. O Irã tem uma cultura milenar, milhões de habitantes e inúmeras alianças internacionais importantes”, disse Lula, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, nessa quarta-feira, 8.
Lula também criticou a postura do Brasil em relação ao conflito: “O Brasil não tem que se meter nisso. Podemos ser parceiros do Irã, não temos que cair de joelhos ao Trump. Por que o Brasil não faz um discurso de paz, se propõe a ajudar na discussão?”, questionou.
Segundo o ex-presidente, esse comportamento é reflexo da subserviência de Bolsonaro aos Estados Unidos: “Ele não tem medido esforço para provar que é um ‘lambe botas’ dos EUA, já até bateu continência para a bandeira deles. Os americanos criam uma situação patética e o governo Bolsonaro vai atrás. Tudo que o Trump fala, ele repete automaticamente”.
Para Lula, o país deveria manter sua postura histórica de mediador, defendendo a harmonia. “O Brasil é um construtor de harmonia e paz. Isso que se espera de um país que tem mais de 10 fronteiras, com boas relações diplomáticas com Europa e EUA. O Brasil não precisa disso, temos que ser respeitado por todos países. Assim que se constrói um país soberano e agregador. O que importa é você garantir a paz, o trabalho e a felicidade de seu próprio povo antes de tudo”, disse.
Para o ex-presidente, a submissão de Bolsonaro aos Estados Unidos se dá em um momento em que os estadunidenses buscam retomar o controle da América Latina e acabar com os avanços sociais dos governos progressistas na região.
“Os governos latinos progressistas, com distribuição de renda, combate à fome e inclusão social, incomodavam os EUA. Os americanos querem fazer da América Latina o seu quintal. Por isso, hoje eu digo com clareza: os Estados Unidos tem forte influência na política da Lava Jato neste país. No comportamento dos procuradores, nas ações do Moro. Destruíram a Petrobras, e agora tem interesse em comprá-la em fatias. Nós teremos que brigar para manter a soberania desse país”.
