
Por Renan Monteiro e Mateus Maia, do Estadão Conteúdo
BELÉM – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (10) em Belém (PA) o uso de recursos para ações socioambientais em detrimento de gastos com guerras. O discurso ocorreu na abertura da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). “Se os homens que fazem guerra estivessem aqui, eles veriam que é mais barato ajudar o clima do que fazer guerra”, declarou.
Antes do pronunciamento do presidente brasileiro, o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Simon Stiell, usou seu discurso de abertura para traçar as vantagens econômicas para a transição para o desenvolvimento sustentável.
Lula reconheceu que seria mais fácil realizar a COP em uma cidade sem problemas do ponto de vista logístico, mas alegou que a Conferência em Belém estaria sendo proeza. Lula pediu ainda para os delegados e outros participantes aproveitarem a cultura da cidade. “Trazer a COP para o coração da Amazônia foi uma tarefa árdua, mas necessária”, declarou.
O governo está refutando os argumentos sobre a possível falta de estrutura da capital paraense. “Quando se tem disposição política, compromisso com a verdade, não tem nada impossível para o homem”, afirmou Lula.
Demarcação de terra indígena
O presidente disse que “talvez” seja necessário ampliar o porcentual de áreas demarcadas para povos indígenas no Brasil, hoje em mais de 13% do território nacional. O processo de demarcação é o meio administrativo para identificar e sinalizar os limites do território tradicionalmente ocupado pelos povos indígenas.
“É fundamental reconhecer o papel dos territórios indígenas e de comunidades tradicionais nos esforços de mitigação. No Brasil, mais de 13% do território são áreas demarcadas para os povos indígenas. Talvez ainda seja pouco. Uma transição justa precisa contribuir para reduzir as assimetrias entre o Norte e o Sul Global, forjadas sobre séculos de emissões. A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável”, declarou Lula.
Combustível fóssil
Lula defendeu uma espécie de “mapa do caminho” com estratégias para alcançar a independência econômica em relação aos combustíveis fósseis. Repetindo o discurso diplomático tradicional, ele voltou a defender uma transição “justa e planejada” para a superação da dependência do petróleo e derivados.
Lula sugere que qualquer caminho neste sentido será no longo prazo, sendo que no curto prazo o Brasil e outros países continuarão dependentes desses insumos. Esse é o argumento defendido, inclusive, pelos defensores da exploração de petróleo na Margem Equatorial. Isto é, enquanto houver demanda, a oferta desses itens continuará existindo. “Espero que a serenidade da floresta inspire em todos nós a clareza de pensamento necessária para ver o que precisa ser feito”, disse.
Lula também comentou sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – iniciativa financeira que buscará a conservação e restauração de florestas tropicais em diversos países. O presidente ressaltou que o mecanismo angariou em um só dia cerca de US$ 5,5 bilhões
