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Dia a Dia.

Livro sobre roubo de provas de Enem expõe omissões sobre segurança

2 de outubro de 2017 Dia a Dia.
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livro mostra como autoridades públicas falharam em garantir segurança das provas do Enem (Foto: ABr/Agência Brasil)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – No ano em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vazou e a prova foi cancelada, em 2009, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão responsável pelo teste, ignorou dois avisos de que a gráfica incumbida da impressão não tinha segurança suficiente. É uma das principais revelações de ‘O Roubo do Enem’, da jornalista e fundadora da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) Renata Cafardo. O livro será lançado no dia 30 deste mês, em São Paulo.

Renata foi a responsável por revelar, nas páginas do jornal ‘O Estado de S. Paulo’, o vazamento do exame. O problema prejudicou 4,1 milhões de estudantes inscritos em todo o País naquele ano.

O escândalo veio à tona depois de uma dupla de golpistas ter conseguido uma cópia da prova e tentado vendê-la, sem sucesso, para a jornalista. Em vez de pagar pela informação, o que é vetado pelo código de ética jornalística, a repórter marcou um encontro com os criminosos, viu a prova, memorizou parte das perguntas do exame e informou sobre o vazamento ao MEC (Ministério da Educação).

No livro, Renata mostra que, diferentemente do que foi divulgado à época pela imprensa, uma auditoria do Inep confirma que não houve falta de fiscalização da gráfica que imprimiu o Enem. Mas sim omissão em relação aos avisos emitidos pelos órgãos técnicos.

Funcionários do próprio Inep que visitaram a gráfica em duas ocasiões, antes do roubo, disseram que “os procedimentos adotados não eram suficientes para garantir o sigilo da prova”, segundo nota técnica de 24 de agosto. Constatou-se que não havia câmeras em lugares estratégicos nem pessoal suficiente para fazer a ronda e fiscalizar o movimento na gráfica.

A nota, enviada ao Inep, recomendava ao órgão que outros servidores fizessem, “até o término de toda a impressão das provas em São Paulo, a supervisão dos trabalhos, em regime de revezamento, para garantir maior segurança de todo o processo”.

Dois ex-diretores do Inep, Heliton Ribeiro Tavares e Dorivan Ferreira Gomes, foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), à época, a pagar multas de R$ 5 mil e R$ 3 mil. O ex-presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, e o então ministro da Educação, Fernando Haddad, não sabiam da existência das notas técnicas. “Claramente não havia condições de se fazer a prova naquele momento”, lembra Renata.

A reportagem não conseguiu contato com os ex-diretores. Já Fernandes destacou que o Inep não teve participação na contratação da gráfica. “Evidentemente, conhecendo o resultado final, é fácil propor mudanças. Mas, tendo as informações que tinha na época, acho que tomaria as mesmas decisões”.

Revelações

O ‘Roubo do Enem’ traz uma série de fatos inéditos sobre o episódio que alavancou o jornalismo de educação no País, com sucessivas manchetes dos principais jornais. Renata conta, por exemplo, como o ex-secretário de educação superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, usou a prova de uma bolsa de iniciação científica para ‘esconder’ o pré-teste do Enem e, assim, evitar o vazamento da prova, como em anos anteriores.

O livro destaca a trajetória do exame, antes e depois do vazamento, e a dura relação entre imprensa, polícia e Ministério da Educação para solucionar o caso. “Imagino que um grande vazamento desses não possa mais acontecer. Fizeram muitos aperfeiçoamentos”, afirma a autora, que recebeu prêmios pelo trabalho, como o Ayrton Senna, e foi finalista do Esso.

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Assuntos enem, MEC
Cleber Oliveira 2 de outubro de 2017
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