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Dia a Dia

Laudo contraria versão de médica sobre erro de sistema no caso Benício

22 de janeiro de 2026 Dia a Dia
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Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu após receber doses de adrenalina por via intravenosa (Foto: Rede social/reprodução)
Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu após receber doses de adrenalina por via intravenosa (Foto: Rede social/reprodução)
Do ATUAL

MANAUS – O laudo pericial do Instituto de Criminalística do Amazonas, divulgado nesta quinta-feira (22) conclui que não houve falha técnica, erro de sistema ou mau funcionamento no sistema eletrônico de prescrição médica Tasy EMR, utilizado pelo Hospital Santa Júlia no atendimento do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu após receber adrenalina por via intravenosa, no dia 22 de novembro de 2025.

De acordo com os peritos, o sistema funcionava conforme projetado e configurado, e todas as informações registradas na prescrição eletrônica — incluindo medicação, dosagem, via de administração e forma de prescrição — foram corretamente processadas, salvas e encaminhadas à farmácia hospitalar, sem apresentar inconsistências ou alterações automáticas indevidas.

Defesa da médica

No início de dezembro, durante as investigações do caso, a defesa da médica Juliana Brasil, que prescreveu a medicação aplicada em Benício, apresentou à Polícia Civil do Amazonas um vídeo que, segundo os advogados, mostrava falhas no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia.

Os advogados sustentaram que o vídeo mostrava que a anotação de adrenalina intravenosa no prontuário foi causada por uma alteração automática do software, e não pela médica.

Segundo a defesa, Juliana registrou a administração da adrenalina por via inalatória, mas o sistema teria mudado para intravenosa em meio a instabilidades técnicas ocorridas no hospital naquele dia. Os advogados afirmam que a médica não percebeu a modificação e que outros profissionais relataram problemas semelhantes.

Diante dos argumentos da defesa, o delegado do 24° Distrito Integrado de Polícia, Marcelo Martins de Almeida Silva, solicitou ao Instituto de Criminalística uma perícia no equipamento do Hospital Santa Júlia.

O laudo

O exame técnico demonstrou que, ao selecionar o medicamento “Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml injetável”, o sistema sugere automaticamente a via intravenosa, em razão de uma configuração prévia definida pela administração do hospital. No entanto, o laudo ressalta que o médico tem autonomia para alterar essa via, podendo escolher opções como inalatória, intramuscular ou subcutânea antes de confirmar a prescrição.

Durante simulações controladas, os peritos comprovaram que a via de administração só permanece intravenosa se o médico mantiver essa opção. Quando o profissional altera a via (por exemplo, para inalatória), o sistema salva corretamente a mudança, sem erro ou reversão automática.

Segundo o laudo da Instituto de Criminalística, o sistema não impede nem induz a escolha da via intravenosa — a decisão final é sempre do usuário médico.

Outro ponto destacado no laudo é a diferença entre prescrever a adrenalina como “medicamento” ou como “solução”. Ao optar pela categoria “solução”, o sistema restringe a via exclusivamente à intravenosa, por se tratar de uma configuração técnica específica do Tasy. Ainda assim, essa alteração exige ação deliberada do médico, não ocorrendo de forma automática.

A perícia também analisou logs do sistema, registros de banco de dados e evidências digitais, incluindo capturas de tela e vídeos, e não identificou falhas, instabilidades, erros de processamento ou comportamentos anômalos no dia do atendimento. Todos os dados analisados mantiveram coerência entre a interface do sistema e os registros internos.

Por fim, os peritos enfatizam que a análise foi limitada ao comportamento observável do sistema, sem acesso ao código-fonte do software, mas afirmam que, dentro do escopo técnico avaliado, o Tasy operou de forma regular, e a prescrição questionada reflete fielmente as escolhas feitas pelo profissional de saúde no momento do atendimento.

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Assuntos Benício Xavier, destaque, Falha, Instituto de Criminalística, laudo, Médica, morte
Valmir Lima 22 de janeiro de 2026
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3 Comments
  • Marcelo disse:
    24 de janeiro de 2026 às 07:37

    Sistema tasy é o pior sistema para um hospital.
    Não é campo livre a prescrição já tem um modelo automático que leva erro. O tasy tem cupa no caso e só falta alguém que acuse o sistema tasy que é uma porcaria, muitos gestores implantaram esse sistema ridículo. Interesse?

    Responder
  • Juliana disse:
    24 de janeiro de 2026 às 10:59

    O Tasy é um software muito seguro e permite que sejam colocadas várias configurações e cadastrados protocolos específicos para cada tipo de problema.. como esse medicamento é crítico se usado de forma incorreta, poderiam ter cadastrado protocolos exclusivos para as duas situações, não permitindo erro de prescrição. Isso é muito necessário talvez em medicações para crianças pequenas, onde a diluição é muito importante para evitar super dosagens.

    Responder
  • Jair barbosa da silva disse:
    24 de janeiro de 2026 às 17:47

    🇦🇱 ADRENALINA É UMA MEDICAÇAO DE ALTA VIGILANCIA. DEVE SER ADMINISTRADA EM CASO EXTREMOS: PARADA CARDIACA. A CRIANÇA NAO APRESENTAVA UM QUADRO CRITICO .EXISTE UM LEQUE DE MEDICAÇAO QUE ELA PODERIA TER PRESCRITO. MESMO SE O SISTEMA ESTIVESSE ERRADO MESMO ASIM. A MEDICA SERIA CULPADA. POIS DEVERIA LER A IMPRESSAO ANTES DE CARIMBAR E DAR A TECNICA. QUEM ADMINISTROU TAMBRM ERROU POR NAO QUESTIONAR. ADRELAINA. NA MINHA OPINIAO SÓ DEVERIA SER UTILIZADA E PRESCRITA POR MEDICOS QUE TIVESSE UMA ESPECIALUZAÇAO EM FARMACOLOGIA COM MEDICAMENTOS SUPER DE ALTO RISCO. FICA A IDEIA. SOU DA SAUDE

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