
MANAUS – A pedido do MPE-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) a juíza Patrícia Macedo de Campos adiou pela segunda vez o julgamento dos sete réus envolvidos no “Caso Grande Vitória”, marcado para esta segunda-feira (29). A nova data é o dia 1º de abril.
Familiares que aguardavam o início da sessão em frente ao Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, na manhã desta segunda, foram surpreendidos com a notícia do adiamento.
Lindalva Castro, mãe de Rita de Cássia, de 19 anos na época, uma das vítimas, disse estar frustrada. Ele disse que veio do Pará, onde mora, apenas para acompanhar o julgamento. “O sentimento é de raiva porque a gente gasta dinheiro, gasta tudo, o tempo da gente, porque temos que trabalhar e chega a aqui não tem [o julgamento]. O Estado está brincando com nós. Está brincando com todas as mães aqui”.
Arlete Roque, mãe de Alex Júlio Roque, de 25 anos na época do crime, disse que a decisão lhe causou “revolta”. Ela questiona por que não substituíram antecipadamente o promotor do caso, que, segundo ela, não acompanhou a situação e pediu férias.
“E nós que estamos há oito anos esperando. Será que eles não podiam ter um coração mais amoroso e defender o nosso caso? […]. Esse Estado continua fazendo besteira. É um sentimento de tristeza e revolta. São mães que estão há oito anos onde coloram os ossos dos nossos filhos para fazermos um enterro digno”, disse.
Em nota, a 3ª Vara do Tribunal do Júri informou que a juíza Patrícia Macedo de Campos acatou o pedido do MPE-AM para o adiamento devido à “impossibilidade momentânea de designar um promotor para atuar na sessão marcada para a data de hoje”.
A chacina
Em outubro de 2016, Alex Júlio Roque de Melo, de 25 anos; Ewerton Marinho, 20; e Rita de Cássia, 19, desapareceram após serem abordados por policiais militares no bairro Grande Vitória, zona leste de Manaus, quanto voltavam de uma festa.
Imagens de câmeras de vigilância da área registraram o momento que os policiais mandaram o trio entrar no carro da PM (Polícia Militar). Desde então, os jovens nunca mais foram vistos.
A Ação Penal tem como réus: José Fabiano Alves da Silva, Edson Ribeiro da Costa, Ronaldo Cortez da Costa, Eldeson Alves de Moura, Cleydson Enéas Dantas, Denilson de Lima Corrêa e Isaac Loureiro da Silva.
