
Do ATUAL
MANAUS – A juíza Aline Kelly Lins, da 4ª Vara Criminal da Comarca de Manaus, revogou nesta quinta-feira (11) um pedido que ela tinha feito à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para que apurasse a conduta de advogados dos implicados na Operação Dracma, que apura fraudes em rifas ilegais promovidas por influenciadores digitais de Manaus.
Em junho, Aline afirmou que os advogados tinham abandonado a causa, pois deixaram de apresentar defesa no prazo estabelecido pela justiça. No mesmo dia, o advogado Vilson Benayon negou abandono e afirmou que o processo era complexo, com 2,5 mil folhas. Ele disse que a defesa estava analisando o caso minuciosamente.
Na nova decisão, Aline acolheu as alegações finais, que foram apresentadas fora do prazo. A magistrada afirmou que “não houve prejuízo substancial à defesa dos acusados, estando garantindo, assim, o exercício do contraditório e da ampla” e revogou a ordem de comunicação à OAB para que adotasse “medidas pertinentes no âmbito administrativo disciplinar”.
“Diante do exposto, revogo a decisão interlocutória de fls. 2514-2516, no que tange à determinação de comunicação à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas, para adoção das medidas pertinentes no âmbito administrativo disciplinar”, diz trecho da decisão.
O processo envolve influenciadores digitais de Manaus acusados de integrar grupo criminoso que fraudavam rifas ilegais para ganhar dinheiro. Entre os investigados estão João Lucas da Silva Alves, o Lucas Picolé, e Isabelly Aurora, que anunciavam sorteios de motocicletas e carros nas redes sociais, que tinham milhares de seguidores.
De acordo com o promotor de Justiça Carlos Braga Monteiro, que assinou a denúncia do MPAM (Ministério Público do Amazonas), o grupo lavava dinheiro, sonegava impostos e fazia estelionato. Eles usavam o dinheiro adquirido com as rifas para comprar bens, que eram colocados em nomes de terceiros.
O Ministério Público aponta Lucas e Isabelly como “mandantes” do esquema criminoso. Segundo o promotor, eles “atuam como influenciadores digitais com grande número de seguidores e eram os responsáveis por promover as rifas com prêmios mais vultosos, incluindo carros, motocicletas e motos aquáticas”.
O promotor afirma que, em alguns casos, Lucas e Isabelly vendiam rifas para sorteios cujos prêmios tinham proprietários. É o caso de um veículo Gol sorteado em maio do ano passado. O carro estava no nome de outra pessoa que informou não ter autorizado a comercialização do bem.
