
Por Roseann Kannedy e Aguirre Talento, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A Polícia Federal encontrou nos celulares dos integrantes da suposta milícia armada do banqueiro Daniel Vorcaro recados enviados pela irmã de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que morreu na carceragem da PF em Belo Horizonte após ter sido preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Nas mensagens, Joana Mourão cobrou ajuda financeira de Henrique Vorcaro, o pai do banqueiro, e avisou que possuía documentação suficiente “para acabar com a família inteira”. A PF diz que Henrique autorizou repasses para silenciá-la.
As defesas do pai de Vorcaro e da viúva de Felipe Mourão ainda não se manifestaram.
Uma das conversas foi entre a viúva e Manoel Mendes Rodrigues, operador do jogo do bicho que foi alvo da última fase da Compliance Zero, na qual Henrique Vorcaro foi preso. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesta terça-feira, 16, o pedido de revogação da prisão do pai do banqueiro.
Em 26 de abril de 2026, a viúva reclamou com Manoel sobre a falta de repasses financeiros de Henrique Vorcaro. “HV não se manifesta com nada $”, escreveu por WhatsApp. E complementou: “Eu estou muito perto do abismo. E se eu for tenho como levar ele junto. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades tbm”.
Para tentar dissuadi-la, Manoel pediu para conversarem pessoalmente e acionou o primo dela para atuar como intermediário. O primo também manifestou preocupação e disse que ela havia passado a noite anterior acessando os registros da nuvem do celular de Felipe Mourão.
Na conversa com Manoel, a viúva ainda disse: “Eu tenho material pra acabar com a família inteira”.
Após a reunião, Manoel informou a Henrique Vorcaro que estava resolvendo a situação. A PF afirma que, de acordo com os diálogos, é possível inferir que houve algum acerto financeiro com a viúva e que Henrique estava ciente do negócio. Manoel viabilizou a assinatura de um contrato fictício para viabilizar os pagamentos a ela.
“Até o presente momento, não foi possível verificar se o referido contrato foi efetivamente assinado. Todavia, é possível verificar que Manoel Mendes Rodrigues, até a data da sua prisão, estava atuando, de maneira ativa, para viabilizar o repasse à família do Sicário de recursos financeiros a fim de fazer cessar a situação de dificuldade financeira em que se encontram”, escreveu a PF.
