
Do ATUAL
MANAUS – Entre 2023 e junho de 2026, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou R$ 5,65 bilhões em operações no Estado e liberou R$ 3,42 bilhões. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram R$ 496,17 milhões aprovados e repassados R$ 853,33 milhões.
Para Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, o Amazonas ocupa uma posição estratégica na agenda de desenvolvimento da Amazônia. Ele citou o Polo Industrial de Manaus, que, em sua avaliação, combina geração de investimentos, empregos e arrecadação com uma contribuição importante para a proteção da floresta.
“O Polo Industrial de Manaus é um êxito em termos do volume de investimento, da geração de impostos, geração de empregos e foi muito importante para a proteção da floresta”, disse, nesta quinta-feira (10), em Manaus, ao apresentar os investimentos do banco na região em evento na Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas).
Mercadante ressaltou que o desafio regional vai além da manutenção da atividade industrial. Com uma população amazônica mais jovem que a média brasileira, o Estado demanda investimentos em educação, empregabilidade e geração de oportunidades. Ao mesmo tempo, existe espaço para ampliar o processamento e a comercialização de produtos da biodiversidade amazônica, agregando valor às cadeias produtivas locais.
Tecnologia
A indústria aparece entre os principais destinos dos financiamentos. Dados do BNDES mostram R$ 2,4 bilhões em aprovações relacionadas à Neoindustrialização e R$ 592,2 milhões em inovação no Amazonas entre 2023 e julho de 2026. A carteira inclui projetos de empresas instaladas no PIM, com recursos destinados à modernização tecnológica, transformação digital, pesquisa e desenvolvimento.
Entre os exemplos está a Positivo Tecnologia, que recebeu R$ 288 milhões em apoio do banco para ampliar capacidade produtiva e atualizar tecnologicamente unidades industriais, incluindo a fábrica de Manaus. O Grupo Multi conta com R$ 176 milhões para um plano estratégico de inovação e Indústria 4.0, enquanto a Novamed recebeu R$ 27,5 milhões para ampliar sua estrutura de pesquisa, desenvolvimento e inovação em Manaus.
A estratégia também busca alcançar empresas menores. Em 2026, os desembolsos do BNDES para micro, pequenas e médias empresas no Amazonas chegaram a R$ 218,1 milhões. Desde 2023, esse segmento recebeu cerca de R$ 1,02 bilhão, equivalente a 30% dos desembolsos realizados no Estado no período.
Durante o encontro na Fieam, Mercadante anunciou a realização de uma oficina de crédito destinada a micro, pequenas e médias empresas, com o objetivo de apresentar alternativas de financiamento e ampliar o acesso dos empresários aos instrumentos do banco. Segundo ele, a oferta de crédito do BNDES cresceu de forma expressiva nos últimos três anos e meio.
O saneamento de Manaus é um dos projetos de maior dimensão. O empreendimento prevê R$ 3 bilhões em investimentos, dos quais R$ 1,5 bilhão financiados pelo BNDES, para a implantação de 2.335 quilômetros de redes coletoras e 29 estações de tratamento de esgoto, com foco na universalização do serviço.
Logística e aeroportos
Na logística, o banco financia a aquisição de 60 balsas graneleiras e dois empurradores pela Hermasa Navegação da Amazônia. O projeto soma R$ 384 milhões, com R$ 345 milhões financiados pelo BNDES, e 32 embarcações já foram entregues e estão em operação. Parte da frota é construída em estaleiros da própria região, fortalecendo a cadeia naval amazônica.
Outro eixo é a infraestrutura aeroportuária. O programa envolve sete aeroportos da região, com R$ 1,9 bilhão em investimentos e R$ 600 milhões em financiamento do BNDES. No Aeroporto de Manaus, estão previstos R$ 213 milhões, em uma estrutura considerada estratégica para a logística de cargas de maior valor agregado associadas à Zona Franca de Manaus (ZFM).
Além da indústria tradicional, o banco vem ampliando a carteira de projetos ligados ao desenvolvimento socioambiental e à chamada economia da floresta. Entre as iniciativas apresentadas estão projetos de manejo florestal sustentável, restauração de áreas degradadas e concessões voltadas à exploração sustentável de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços florestais.
Aproximação
A lógica é aproximar conservação e geração de renda, criando cadeias produtivas capazes de agregar valor aos recursos naturais sem depender da conversão da floresta. Na avaliação de Mercadante, o desafio do Amazonas passa justamente por criar alternativas econômicas e empregos que fortaleçam a população e contribuam para a preservação ambiental.
Para Antonio Silva, presidente da Fieam, essa agenda reforça a necessidade de uma relação permanente entre o setor produtivo e as instituições de financiamento.
“É muito importante que nós possamos ter o BNDES aqui conosco”, afirmou ao defender que a aproximação seja ampliada para novos projetos. O objetivo, segundo ele, é manter o acesso aos órgãos de financiamento como parte da estratégia de desenvolvimento do Estado e de preservação da Amazônia.
