
Por Jullie Pereira, especial para o ATUAL,
BELÉM – O portão principal do espaço onde ocorre a Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) em Belém foi fechado na manhã desta sexta-feira (14) por causa de um protesto de indígenas Mundurukus em frente à Zona Azul, onde ocorrem as negociações. A entrada para a conferência da ONU está sendo feita por um portão lateral.
Os indígenas querem uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir uma série de medidas, entre elas a suspensão do projeto da Ferrogrão – ferrovia que vai de Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), no rio Tapajós, onde estão as aldeias deles.
Também reivindicam mais acesso à saúde e educação. Pedem ainda ações de combate ao garimpo, que está impactando os rios. “A gente vai fechar. Ninguém entra e ninguém sai. Já chega de usar nossa imagem para dizer que são sustentáveis”, disse a líder indígena Alessandra Munduruku.
O presidente da conferência, André Lago, convidou os indígenas para entrar e conversar com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Não há informações sobre a conversa entre eles. Com a entrada bloqueada, os participantes foram orientados a entrar por portas laterais, onde antes ficava a saída.
Não é o primeiro protesto desta semana. Na terça-feira (11), indígenas do povo Arapiuns e Tupinambá, da região do Baixo Tapajós, no Pará, também protestaram. Eles entraram no espaço da Zona Azul sem credenciamento e houve tumulto com os seguranças.
Por causa disso, a ONU enviou uma carta à presidência da conferência pedindo mais estruturas de segurança. Em entrevista, o presidente André Lago informou que os pedidos foram atendidos.
