
Por Alessandra Taveira, Da Redação
MANAUS – Questionado pela reportagem do ATUAL sobre porque não libera catraca como meio de pressionar os empresários em greve de ônibus, o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, propôs fazer a pergunta ao prefeito de Manaus David Almeida.
“A categoria não tem poder com o prefeito. Vocês, da imprensa, têm muito mais força. Essa pergunta seria boa para ele. Eu topo catraca livre”, disse Givancir. “Mas pergunte do prefeito se ele topa. Vá lá agora que eu te espero aqui. Se ele topar, eu faço”, completou, em entrevista na manhã desta terça-feira para anunciar paralisação de motoristas e cobradores para quinta-feira, 27.
Givancir disse que em outro contexto foi multado em R$ 1 milhão pela atitude, mas não consta que os trabalhadores tenham adotado a catraca livre em greves anteriores. O que foi estipulado pela Justiça em caso de greve sem cumprimento das regras de paralisação em que 70% da frota precisa ser mantida em circulação, foi multa de R$ 200 mil.
Givancir considerou aderir à manifestação se a reportagem “chamar o prefeito David, colocar nós dois aqui de frente, tirar os ônibus e abrir as portas”, disse. “Aí eu faço (catraca livre)”, complementou.
O sindicalista reivindica vacinação dos trabalhadores e reajuste de 15% no salário. A confirmação da paralisação, no entanto, ainda depende do que vai ser discutido em reunião com o prefeito David Almeida na tarde desta terça. “Qualquer sinalização de reajuste da categoria, ainda que de forma parcelada, a categoria volta a trabalhar com 100% da frota. (…) Nós só queremos negociar, queremos uma proposta sólida do prefeito David Almeida”, disse Gilvancir.
Assista à argumentação de Givancir no vídeo:
Caso as reivindicações não sejam atendidas, a categoria promete paralisar 50% frota. “Nós só queremos reposição salarial, só isso”, justificou Givancir, que descartou a possibilidade de parada total mediante recusa da prefeitura e dos empresários.
“A direção do sindicato vem há dois anos dialogando com as empresas para conceder reajuste para os trabalhadores. As empresas alegam dificuldade financeira. Nós não reconhecemos essa dificuldade porque, pela primeira vez na história, o Sinetram renovou toda a frota na pandemia. De onde veio esse recurso?”
São dois anos sem receber reajuste, segundo Givancir. Os rodoviários pedem 15% de reajuste, sendo 3% do ano passado e 12% deste ano. Também alega atraso na concessão do ticket refeição. “A categoria não vai aceitar ficar mais dois anos sem reajuste”.
Vacina
Givancir quer que os trabalhadores sejam imediatamente vacinados e argumenta que a superlotação dos ônibus os coloca em risco. “Queremos vacina. Sem saúde não dá. A categoria trabalha em ônibus lotado. Ao invés de aumentarem a quantidade de ônibus nesse período de pandemia, tiraram”, diz Givancir. “Eram mil ônibus na cidade, hoje só são 800. Com isso, acumulou a quantidade de pessoas nos ônibus, propagando o vírus de forma indiscriminada”, complementa.

“Mais de 300 rodoviários morreram durante a pandemia. Cadê a nossa vacina?”, questiona. A imunização de outros profissionais serve de comparativo: “Nada contra os professores, eles têm que ser vacinados. Mas não tão trabalhando, por que vacinar professor?”
