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Dia a Dia.

Ibama inicia maior operação do governo Bolsonaro na Amazônia

16 de julho de 2019 Dia a Dia.
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Madeira ilegal
Para os servidores do Ibama, será também o grande momento de definição sobre o rumo que o órgão tomará no governo Bolsonaro
(Foto: Ibama/Divulgação)

Por Fabiano Maisonnave, da Folhapress

MANAUS – Com direito a presença de ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a anúncio de madeireiro, o Ibama inicia nesta quarta-feira, 17, a sua maior operação desde o início do governo Jair Bolsonaro. Ao todo, serão enviados cerca de 200 homens a Espigão d’Oeste (RO), cujas madeireiras dependem da extração ilegal de madeira de terras indígenas. 

Trata-se uma demonstração de força em resposta à queima de um caminhão-tanque a serviço do Ibama, no último dia 4, em Boa Vista do Pacarana, distrito de Espigão. O veículo estava sendo usado para abastecer três helicópteros que apoiavam uma operação contra o rumo de madeira.

Para os servidores do Ibama, será também o grande momento de definição sobre o rumo que o órgão tomará no governo Bolsonaro. Pressionado por madeireiros e políticos aliados, o Planalto terá de decidir se continua desqualificando as ações da fiscalização ambiental ou se agirá com firmeza contra os madeireiros de Espigão, que dependem do roubo de madeiras em terras indígenas para operar. 

Além de 30 agentes do Ibama, a operação, batizada de Honoris, contará com 60 PMs de Rondônia e 110 homens do Exército. Eles ficarão acampados na cidade por tempo indeterminado. 

Por causa do ataque, o Ibama teve de abortar a operação, que estava sendo realizada na Terra Indígena Zoró. No mesmo dia, embargou todas as 47 madeireiras de Espigão, uma cidade de 32 mil habitantes a 540 km ao sul de Porto Velho. 

A chegada de Salles e da operação nesta quarta foi anunciada pelo presidente do sindicato dos madeireiros, Cássio Barden. Em vídeo que circula pelas redes sociais, ele aparece “convocando a todos para que pegue a bandeira do Brasil, a sua camisa amarela” para recepcionar o ministro. 

“A gente quer mostrar para ele que não está certo essa questão de ter bloqueado as empresas de Espigão d’Oeste por um fato isolado de vândalos”, afirma Barden. “A gente está aguardando que todos estejam lá ordeiramente, civilizadamente. Ninguém faça nada de bobagem, para que a gente possa liberar as nossas empresas.” 
A ausência do fator surpresa não preocupa o Ibama, já que o objetivo principal é dar uma resposta ao ataque contra a operação, inibindo novos ataques contra agentes ambientais.

A previsão é que Salles chegue por volta das 8h a Espigão, onde se reunirá com madeireiros e políticos de Rondônia no teatro da cidade. Depois, o ministro deve conhecer uma área destruída pelo garimpo ilegal de diamante na Reserva Roosevelt (etnia cinta-larga), na mesma região, e uma área de extração ilegal de madeira, também em terra indígena.

Desde a campanha, Bolsonaro tem criticado duramente a atuação do Ibama. Em vídeo gravado em 12 de abril, ele desautorizou uma operação em andamento na mesma região do ataque. 

O presidente acusou “o pessoal do meio ambiente, do Ibama” e “queimando caminhões, tratores” nos municípios de Cujubim, onde fica a Flona do Jamari, e de Espigão d’Oeste. “Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, me veio falar comigo com essa informação. Ele já mandou abrir um processo administrativo para a apurar o responsável disso aí. Não é pra queimar nada, maquinário, trator, seja o que for, não é esse procedimento, não é essa a nossa orientação”, disse à época.

Diferentemente do que afirma Bolsonaro, a legislação permite a destruição de equipamentos e veículos apreendidos durante fiscalização ambiental, por meio do artigo 11 do decreto 6.514, de 2008.

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Assuntos Amazônia, Bolsonaro, Ibama
Redação 16 de julho de 2019
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