
MANAUS – A disputa entre a reitora da Universidade Federal do Amazonas, Márcia Perales, e o diretor do Hospital Universitário Getulio Vargas, Lourivaldo Rodrigues Souza, que resultou na substituição do segundo por seu vice, Rubem Júnior, começou antes da disputa da eleição para reitor, em abril do ano passado, e teve até caso de “espionagem” eleitoral.
No primeiro turno da eleição para reitor, a comissão eleitoral colocou uma urna de votação em um setor da administração do hospital que capitou apenas dois votos: o de Lourivaldo e de outra pessoa, partidária de Márcia Perales. Lourivaldo votou no adversário de Pereles, Sylvio Puga, e o voto dele chegou ao conhecimento da reitora.
O diretor não gostou, considerou que a colocação da urna foi uma armação e foi tomar satisfação com a reitora, que concorria à reeleição. No segundo turno, houve mudança e a urna do setor administrativo foi extinta. “Esse episódio foi superado. Eu, inclusive, ajudei a reeleger a reitora”, disse Lourivaldo, confirmando a história, mas afirmando que no segundo turno votou em Perales, na disputa com Puga.
A relação entre os dois azedou desde então, e teve seu momento mais tenso em dezembro do ano passado, por ocasião de um protesto de médicos e residentes do HUGV que reclamavam da falta de verba para o hospital. Em entrevista ao jornal A Crítica, o médico e diretor do HUGV disse que a reitora estava informada sobre os problemas do hospital desde maio daquele ano e não havia tomado providências. “Depois dessa entrevista, ele me chamou para conversar e disse que não tinha gostado”, afirmou Lourivaldo.
Na última sexta-feira (31 de janeiro), Márcia Perales, se reuniu com o diretor e o vice-diretor do hospital para comunicar a mudança na direção. Com a troca de comando dos hospitais universitário para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), a figura do diretor desaparece e entra a do superintendente. Uma resolução da EBSERH diz que cabe ao reitor escolher e indicar à direção da empresa o superintendente. Foi o que Márcia Perales fez.
Em nota enviada à imprensa, na segunda-feira (3 de fevereiro), a reitora disse que a escolha do novo superintendente do HUGV “decorreu da necessidade de implementação da nova estrutura administrativa na referida unidade de saúde, em consonância com o contrato 01/2013, celebrado entre a Fundação Universidade do Amazonas (FUA) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – cláusula nona, incisos 1, 2, 3 e 4 – o qual determina a constituição de um Colegiado Executivo composto por um superintendente, gerentes, auditores, ouvidor e chefias.”
Na nota, Perales afirma que o contrato e a Resolução 026/2013 da Diretoria Executiva da EBSERH “respaldam as mudanças implementadas, dentre as quais a escolha do doutor Rubem Júnior, eleito pela comunidade do hospital vice-diretor do HUGV na administração anterior, para o exercício do cargo de superintendente.”
Ou seja, Márcia Pelares optou pelo vice e não pelo diretor para gerir o hospital, aproveitando as brechas abertas nos documentos que regem a EBSERH. Ao diretor Lourivaldo Rodrigues, a reitora disse que não havia confiança o suficiente para indicá-lo ao cargo de superintendente. “Fui substituído porque falei a verdade, mas não abro mão de dizer a verdade”, disse o ex-diretor.
Lourivaldo ainda estuda se ingressa na Justiça contra a decisão da reitora.
