
Do Estadão Conteúdo
BELÉM – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a repórteres nesta terça-feira (4) a megaoperação policial da semana passada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, sendo quatro policiais. Ele rebateu a afirmação do governador do Rio, Cláudio Castro, de que a operação foi um “sucesso”.
“O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, a pessoa pode considerar um sucesso, mas, do ponto de vista da ação do Estado, ela foi desastrosa”, disse o presidente.
Ainda sobre a operação no Rio, o presidente disse que é preciso “verificar em que condições ela se deu, porque até agora temos versão contada pela polícia e governo do Estado”.
Lula defendeu uma investigação autônoma sobre a operação, com a participação de legistas da Polícia Federal (PF). “A decisão do juiz era ordem de prisão, não tinha ordem de matança, e houve matança”, destacou Lula.
As declarações foram feitas em entrevista a agências internacionais em Belém (PA), antes da cúpula climática da Organização das Nações Unidas, conhecida como COP. A 30ª edição da cúpula começa esta semana em Belém, cidade brasileira no coração da Amazônia.
Pesquisa Datafolha divulgada no sábado, 1º, apontou que 57% dos moradores da cidade do Rio de Janeiro e da região metropolitana avaliaram que foi um sucesso a megaoperação policial da semana passada. Outros 39% discordam dessa avaliação.
Entre os que aprovaram a ação policial, 38% consideram a ação bem-sucedida de forma integral e outros 18% dão aprovação parcial. O Datafolha ouviu 626 eleitores, na quinta-feira, 30, e na sexta-feira, 31. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou menos.
Já pesquisa AtlasIntel divulgada na sexta-feira, 31, mostrou que a maioria da população brasileira foi favorável à megaoperação. Segundo o levantamento divulgado, 55,2% aprovam a ação, enquanto 42,3% desaprovam.
De acordo com pesquisa Genial Quaest divulgada no domingo, 2, os eleitores de esquerda são os únicos que desaprovam a megaoperação policial: 59% dos eleitores de esquerda lulistas desaprovaram a ação, enquanto entre os não-lulistas o porcentual chegou a 70%.
Para os outros eleitores, a percepção se inverte. A megaoperação que teria tido como principal alvo o combate ao Comando Vermelho foi aprovada por 61% dos eleitores que se dizem independentes, por 92% dos que se identificam como de direita não-bolsonarista e por 93% dos bolsonaristas.
Lula também defendeu a PEC da Segurança Pública enviada ao Congresso e disse que o objetivo da proposta é auxiliar os Estados no combate ao crime organizado sem interferir na autonomia dos entes. “Mandamos PEC ao Congresso para que a gente possa definir como a União pode participar junto aos Estados sem interferir na autonomia, porque tem sempre uma celeuma que a União não pode se meter”, disse.
“Possivelmente ela será votada nesta semana ainda. Quando essa PEC estiver aprovada, a gente vai ter mais facilidade”, disse o presidente, citando também a chamada “Lei Antifacção”. Lula ainda defendeu um aumento de investimentos em inteligência na polícia para combater o crime organizado.
