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Dia a Dia

Hassum terá que pagar R$ 20 mil às irmãs Lins por chamá-las de ‘burra’

16 de julho de 2024 Dia a Dia
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Leandro Hassum foi processo por irmãs Lins por comentário ofensivo na TV (Foto: Divulgação)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS – A juíza Ida Maria Costa de Andrade, da Comarca de Manaus, condenou o humorista Leandro Hassum a indenizar em R$ 20 mil as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins por chamá-las de “burras” em rede nacional. Hassum também terá que se retratar, nas redes sociais dele, sobre as falas ofensivas. A sentença foi proferida nesta segunda-feira (15).

As declarações de Hassum ocorreram no programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’, da TV Globo, no dia 22 de janeiro de 2021. Os participantes da atração falavam sobre a investigação do MP-AM (Ministério Público do Amazonas) de possível burla à fila de vacinação contra a Covid-19 em Manaus quando mencionaram Gabrielle e Isabelle.

As irmãs gêmeas, que foram contratadas dias antes da vacinação, se envolveram na polêmica após compartilharem imagens nas redes sociais recebendo a primeira dose da vacina. Ambas foram acusadas de “furar a fila” por serem filhas dos donos da Universidade e Hospital Nilton Lins, com o qual a prefeitura tinha contrato para funcionamento de Unidade Básica de Saúde.

Na ocasião da ofensa, a apresentadora Fátima Bernardes questionou Leandro Hassum sobre o sentimento dele quando olhava as imagens e ele respondeu: “Quando eu vejo que posta eu já acho burra. A primeira coisa que me vem é que é burra. Burra. Né, amor. Na boa, quer fazer besteira, para quê posta? ‘Olha eu fazendo besteira aqui gente’”, disse o humorista.

As irmãs afirmaram que, após as declarações do humorista, receberam diversos ataques nas redes sociais, ficaram conhecidas como “médicas burras, que tinham furado a fila da vacina” e até hoje sofrem com as consequências da ofensa. Elas pediram que Hassum fosse condenado a pagar R$ 50 mil a cada uma delas e a fazer uma retratação nas redes sociais.

“Eu fui atacada por estar exercendo o meu trabalho. Eu fui julgada por estar sendo exposta. Eu escolhi estar trabalhando por terceiros, escolhi ser útil naquele momento. E o que eu recebi em troca: julgamento por estar fazendo meu trabalho. A ação sobre o fura-fila da vacina foi arquivado no início da semana passada por falta de provas”, disse Gabrielle Lins em audiência.

Ao analisar o caso, a juíza Ida Maria afirmou que a atuação de Hassum “foi ilícita, ultrapassou o direito à liberdade ampla de expressão para, de forma absolutamente insensata e jocosa, culminar com a propagação de falas ofensivas às Autoras em rede nacional”. Para a magistrada, as falas do humorista afetaram a vida íntima delas.

“As Autoras foram ofendidas publicamente pelo Réu em rede nacional, o que certamente afetou a vida íntima daquelas, que passaram a ser conhecidas como ‘médicas burras, que tinham furado a fila da vacina’, o que supera o mero aborrecimento. E, a despeito do Réu ser ator e humorista, a proteção ao humor não deve ser levianamente interpretada a fim de albergar a ofensa”, disse Ida.

Além de condenar Hassum a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil a cada uma das irmãs, a juíza ordenou que ele faça uma retratação formal nas redes sociais dele. A publicação deve permanecer disponível para visualização de terceiros por 10 dias, sob pena de multa de R$ 500 ao dia, até o limite de 10 dias-multa.

Procurada pela reportagem, a defesa de Hassum comunicou que não irá se manifestar. O ATUAL não conseguiu contato com a defesa das irmãs Lins.

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Assuntos caderneta de vacinação, Covid, destaque, irmãs lins, Leandro Hassum
Felipe Campinas 16 de julho de 2024
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