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Dia a Dia

H1N1 causou a maioria das 222 mortes por gripe em 2019, Manaus registrou 32

12 de junho de 2019 Dia a Dia
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A vacina contra a gripe é atualizada todo ano, pois o vírus da gripe sofre constante mutação (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Da Folhapress

SÃO PAULO – O vírus da gripe já matou 222 pessoas neste ano, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde, com dados até 25 de maio. A maior parte das mortes por influenza foi causada pelo subtipo A (H1N1): 148, o que representa 66,6%. 

O número de casos caiu em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2018, foram 335 mortes por gripe até a semana epidemiológica 21. Dessas, 218 haviam sido causadas pelo H1N1, ou seja, 65%. Esse subtipo viral tem uma virulência alta e é facilmente transmitido. 

Surtos de gripe em Goiás e no Ceará impulsionaram as altas taxas registradas um ano atrás, observa a médica Nancy Bellei, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia –foram 338 no primeiro e 300 casos no outro.

A suscetibilidade da população à contaminação, a temperatura do local e a rede de assistência médica disponível são fatores que ajudam a explicar a maior ou menor incidência nas diferentes regiões do país.

Apesar da redução em um ano, a especialista diz que é cedo para comemorar. “Ainda vamos entrar no inverno. Não sabemos a eficácia das vacinas [que são atualizadas todo ano por causa das mutações do influenza] e as consequências do atraso na aderência vacinal por parte de grupos de risco”, afirma ela. “Tudo pode gerar um impacto, especialmente nos estados mais populosos.” 

O Ministério da Saúde não atingiu neste ano a meta de vacinar 90% do grupo prioritário entre 10 de abril e 31 de maio. A cobertura ficou em torno de 80%. O grupo inclui categorias como gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), crianças de seis meses a menores de seis anos e idosos. 

O estado de São Paulo lidera o ranking de contaminações por influenza neste ano, com 244 casos –destes, 16 foram fatais. Em comparação com 2018, houve redução: no mesmo período, haviam sido registrados 462 casos e 71 óbitos.

Segundo a secretaria estadual de Saúde de São Paulo, o número de casos em 2019 já é maior do que o informado pelo Ministério da Saúde. A pasta estima que houve 255 registros e 26 óbitos ligados ao influenza até terça-feira, 11. 

O fato de ser o estado mais populoso do país, com alta circulação de pessoas e muitos eventos que envolvem grandes aglomerações, ajuda a explicar a alta incidência no estado, diz Bellei. A gripe é transmitida, principalmente, por meio da inalação de partículas infectadas eliminadas por meio da tosse e do espirro.

Além disso, há uma melhor vigilância da quantidade de casos no estado, em comparação com outros lugares, o que ajuda a ter dados mais precisos, segundo a especialista. 

O Sudeste é a região com a maior quantidade de registros de contaminação por influenza: 412. É seguido pelas regiões Nordeste (267), Norte (252), Sul (224) e Centro-Oeste (92). 

Os estados do Amazonas e do Paraná lideram a lista de estados com mais casos fatais da doença, com 35 óbitos cada. São seguidos por Rio de Janeiro (26) e São Paulo (16). 

Entre os mortos, 81,5% apresentavam fator de risco, segundo o Ministério da Saúde. Os grupos com maiores taxas de óbito foram idosos (39,2%), diabéticos (27,1%), pessoas com doença cardiovascular crônica (26,5%) e crianças de até cinco anos (19,3%). 

A campanha de vacinação contra a gripe foi estendida para toda a população em 3 de junho. A secretaria estadual de Saúde de São Paulo afirma, em nota, que a campanha no estado seguirá em andamento enquanto houver estoques de vacina nos postos. 

Segundo a pasta estadual, desde 10 de abril 11,8 milhões de pessoas já foram vacinadas –destas, cerca de 1 milhão procuraram postos a partir de 3 de junho. 

Para quem estiver gripado, o Ministério da Saúde diz, em nota, que todos os estados estão abastecidos com o fosfato de oseltamivir, usado para tratamento e profilaxia da doença. A pasta afirma que foram enviadas cerca de 9,5 milhões de unidades aos governos locais. A recomendação é que o tratamento seja realizado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

Para evitar a gripe, a infectologista Roberta Schiavon orienta que, além de tomar vacina, as pessoas lavem bem as mãos, usem álcool gel, mantenham ambientes ventilados e, ao espirrar, tapem a boca com o antebraço, em vez das mãos.

Influenza
Vírus da gripe, tem diferentes subtipos, como A (H1N1), A (H3N2) e B

Sintomas 
Falta de ar, cansaço e febre são sinais de uma possível contaminação pelo vírus. A recomendação é buscar ajuda médica nesses casos, especialmente se a pessoa estiver em algum grupo de risco

Vacina
A trivalente, disponível no SUS (Sistema Único de Saúde), protege contra o H1N1, O H3N2 e o B Victoria, os mais comuns no Hemisfério Sul. Já a quadrivalente, ofertada em clínicas particulares, protege contra mais um subtipo do B, o Yamagata, e custa em torno de R$ 100. Em ambos os casos, a dose é única e anual

Mudança
Como o vírus da gripe sofre constante mutação, a vacina é atualizada pelo governo todo ano. Neste ano, a trivalente sofreu mudança em duas das três cepas que fazem parte da sua composição 

Quem deve se vacinar 
A recomendação é que toda a população tome a vacina. Principalmente gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), crianças entre 6 meses a menores de 6 anos e idosos

Prevenção
A recomendação de especialistas é se vacinar, higienizar bem as mãos com água e sabão, ter sempre álcool gel em mãos, manter ambientes bem ventilados e evitar contato com pessoas contaminadas

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Assuntos Amazonas, gripe H1N1, mortes
Redação 12 de junho de 2019
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