
MANAUS – Gustavo Lima, cantor de música pseudo-sertaneja de grande sucesso no Brasil, deu uma declaração de que tem a intenção de ser candidato a presidente do Brasil em 2026. Nesta sexta-feira (3), a midiazona não falou de outra coisa. A Globo News gastou grande parte do tempo nos programas diários comentando o significado da candidatura de Lima. Falavam como se realmente ele fosse candidato com chances de vencer a eleição.
Certamente, Gustavo Lima dava boas gargalhadas enquanto assistia a euforia dos jornalistas fazendo análise calorosas sobre o cantor-candidato. Ora, Gustavo Lima sequer é filiado a um partido político. No meio da euforia em um dos programas da Globo News, um comentarista, acertadamente, faz uma pergunta crucial: “Quem é Gustavo Lima?”
Os colegas não gostaram e tentaram justificar com frases como “é um dos maiores cantores brasileiros”, ou “é um dos mais importantes cantores brasileiros”. Importante para quem?
Gustavo Lima e outros cantores do mesmo naipe dele, que ganharam fama cantando “dor de cotovelo”, são fãs declarados de Bolsonaro e batem no peito se dizendo “de direita”, mesmo sem fazer ideia do que isso significa.
A qualidade de fã bolsonarista, no entanto, não o credencia à disputa de um cargo tão importante como o de presidente do Brasil. O jornalismo brasileiro não deveria se furtar a divulgar a notícia da intenção de Lima de se candidatar, mas as análises deveriam vir em tom de piada.
No entanto, os jornalistas trataram a notícia como de extrema importância para o país. Ingenuamente ou não, esse tipo de cobertura jornalística, que quer usar a popularidade de uma celebridade para ganhar “likes”, serve apenas para fortalecer uma futura candidatura artificaliazada.
Foi assim que Jair Bolsonaro, em 2018, saiu do limbo do baixo clero do Congresso Nacional para vencer a eleição presidencial. Apesar do bom uso das redes sociais, Bolsonaro foi beneficiado pelo poder da mídia nacional, que o colocou em evidência quase 24 horas por dia, falando bem ou falando mal dele.
Gustavo Lima disse, ao anunciar que pretende ser candidato a presidente (ele anunciou em entrevista ao site Metrópoles), que até 2026 pode mudar de ideia, mas no momento está inclinado à disputa e já conversa com políticos que possam apoia-lo.
O discurso é bem típico de quem está totalmente por fora da política: diz que não aguenta mais ver o povo sofrer, e quer ajudar a mudar a realidade; tenta se descolar de ideologias e afirma não ser nem de esquerda nem de direita.
“Candidatos” com esse perfil surgiram aos montes em véspera de ano eleitoral, mas a maioria ficou à beira do caminho.

