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Economia

Greve na Receita atrasa liberação de mercadorias e dificulta produção em Manaus

9 de maio de 2022 Economia
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Indústrias têm custos adicionais com maior tempo de armazenagem (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Indústrias têm custos adicionais com maior tempo de armazenagem (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, da Redação

MANAUS – O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas afirma que a falta de insumos para abastecer as linhas de produção de empresas da Zona Franca de Manaus tem gerado demissões, compensação de horas e antecipação de férias. O Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) afirma que a produção de fato está prejudicada, mas nega a ocorrência de demissões.

Os funcionários da Receita Federal deflagraram greve e paralisaram as atividades, inclusive as aduaneiras, desde dezembro de 2021. Os auditores adotaram operação padrão – exercem as atividades, mas em ritmo reduzido. A reivindicação dos grevistas inclui a regulamentação do bônus de eficiência da categoria, abra concurso público para recompor os quadros do órgão e reveja o congelamento de salários, que não são reajustados desde 2016.

De acordo com Valdemir Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, as fábricas mais afetadas são dos setores metalúrgico, eletrônico, meios magnéticos e jogos eletrônicos. Apesar de apontar os setores atingidos pela operação padrão dos servidores da Receita, Valdemir Santana não apresentou números que comprovem as demissões e compensações alegadas.

Wilson Périco, presidente do Cieam, diz que a greve “está trazendo uma demora para a liberação de cargas e insumos”, aumentou os custos das empresas, mas não causou demissão. “Isso se soma ao tempo que está levando para chegar esses insumos aqui em Manaus, causando alguns transtornos para as empresas, mas não tem demissão, não tem nada com relação a isso, impactando as empresas. Tem sim a questão de custo [aumento] de armazenagem por conta do acesso ao material”.

As empresas pagam a armazenagem pelo tempo que as mercadorias ficam aguardando liberação. Em janeiro deste ano, a Moto Honda conseguiu liberação judicial de cargas importadas para não prejudicar a produção.

Poucas demissões

Uma das empresas afetadas, a Multilaser, informou que precisou fazer ajustes no quadro no final de abril e reconheceu que um dos fatores determinantes foi a greve da Receita Federal, que impactou a liberação de mercadorias importadas pela empresa. Com mais de 1.500 funcionários, a Multilaser informou que desligou 68 trabalhadores e adiantou férias de 142 profissionais da unidade.

Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela empresa para o Amazonas ATUAL:

“A Multilaser confirma o desligamento de 68 colaboradores da fábrica de Manaus (AM), um turnover considerado mínimo para uma empresa que possui mais de 1.500 mil funcionários na região. A Multilaser destaca que os principais fatores determinantes para a reestruturação foram a greve da Receita Federal na região (que acabou impactando o desembaraço de mercadorias importadas da Multilaser) e indicadores de desempenho.

Além disso, pensando em preservar empregos, a Multilaser informa também que adiantou as férias de 142 profissionais da unidade fabril. Cabe ressaltar que, de 2021 até o momento, a unidade de Manaus já contratou mais de 600 colaboradores, contabilizando um aumento de 15% do seu quadro funcional total. Até 2023, a Multilaser pretende investir R$ 169 milhões na região, considerando obras e automação na unidade existente, além da construção de uma nova fábrica voltada a produtos de mobilidade urbana”.

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Assuntos Centro da Indústria do Estado do Amazonas, destaque, falta de insumos, greve da receita, Sindicato dos Metalúrgicos, Zona Franca de Manaus
Redação 9 de maio de 2022
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