
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
BARCELONA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17) que o governo vai “trabalhar muito” para regular plataformas que “causem dano à democracia”. O presidente, que está em viagem à Espanha, disse também que a medida é necessária para impedir uma “intromissão de fora”, em especial neste ano eleitoral.
“O aumento da violência também está vinculado à propagação do discurso do ódio na internet. O mundo virtual se tornou um ambiente tóxico que afeta a saúde mental dos nossos jovens”, afirmou Lula em entrevista em Barcelona.
O presidente afirmou ainda que a regulação de “tudo que for digital” é um gesto de defesa da soberania nacional. Segundo ele, não se deve tratar como normal ou liberdade de expressão o que chamou de “indústria da mentira e do ódio”.
Para Lula, as big techs vão instituir uma “era do colonialismo digital” se não tiver regras. Ele voltou a defender a necessidade de tratar como crime virtual todo delito previsto em situações fora das redes.
“Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital. Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar poder político e econômico em um punhado de bilionários”, disse.
Lula também declarou que as apostas digitais estão entre os fatores responsáveis pelo endividamento da sociedade. No Brasil, Lula disse que, por ele, o governo baniria as bets do País, mas que isso deve ser discutido pelo Congresso Nacional.
Posses de armas e criminosos
Lula afirmou também que criminosos foram beneficiados com o afrouxamento de regras sobre posses de armas no Brasil. Sem citar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula disse que essas pessoas que flexibilizaram as normas agora querem “terceirizar” o combate ao crime organizado para a tutela de outros países.
“No Brasil, o afrouxamento das regras sobre posse de armas levou a desvios que beneficiaram os criminosos. Os mesmos que promoveram essa medida irresponsável querem terceirizar o enfrentamento do crime organizado para outros países”, declarou o presidente.
ONU enfraquecida
Para Lula, a ONU (Organização das Nações Unidas) está “enfraquecida””. Lula voltou a dizer que os países que criaram a entidade não a respeitam ao descumprir decisões.
“A ONU está muito enfraquecida, porque quando a ONU foi criada, se criou o Conselho de Segurança da ONU para se garantir a paz. (…) Não é o que está acontecendo. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU, as decisões não são cumpridas”, declarou o presidente em entrevista coletiva de imprensa.
O presidente disse ainda que a ONU teve um papel fundamental na criação de Israel, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, mas não consegue consolidar a autonomia política do Estado da Palestina.
Lula afirmou que, assim como a ONU, há um enfraquecimento da democracia atestado nos últimos anos. Para ele, isso se dá devido à alta concentração de renda e à retirada de direitos humanos.
“A sociedade começa a ficar preocupada, porque a democracia chegou ao seu pico maior, criando o estado de bem-estar social de uma parte da população, sobretudo aqui na Europa, e nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo”, disse.
