
Por João Caires, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O Ministério das Comunicações, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) lançarão, na terça-feira (14), a estação de testes da TV 3.0, em Brasília (DF).
O lançamento será o início dos testes para a implementação do modelo, que promete melhor qualidade de áudio, vídeo e interatividade no sistema de televisão brasileiro. A expectativa é que as primeiras operações comerciais tenham início nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com perspectiva de lançamento antes da Copa do Mundo de 2026.
O Ministério das Comunicações tem autorização para que a tecnologia seja implementada em todo País, de forma gradual, ao longo dos próximos anos, segundo afirmou em nota enviada ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
“A entrada em operação em cada cidade pelas emissoras levará em consideração aspectos técnicos, econômicos e de planejamento de rede”, afirmou a pasta por meio de nota.
A estação lançada em Brasília funcionará como um ambiente de validação tecnológica antes da expansão do padrão para outras capitais. A estrutura será usada para avaliar desempenho de transmissão, estabilidade do sinal, compatibilidade entre equipamentos e aplicativos e condições de recepção em diferentes cenários, reunindo medições que devem embasar decisões regulatórias e o desenho do cronograma de implantação.
A adoção da TV 3.0 tende a exigir atualização do parque de recepção, seja por meio de televisores compatíveis ou de conversores, a depender do modelo técnico que vier a ser consolidado após os testes. O governo e o setor também avaliarão como será o período de convivência com o padrão atual e quais mecanismos poderão ser adotados para reduzir impactos ao consumidor, especialmente para famílias de baixa renda.
A migração para a TV 3.0 envolverá a modernização de equipamentos de transmissão e processamento de sinal por parte das emissoras, além de demanda por novos receptores e componentes.
O cronograma de adoção, portanto, depende não apenas da regulamentação e dos testes, mas também da capacidade de investimento do setor e da disponibilidade de soluções no mercado.
Mais informação da Agência Brasil
O presidente do Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV), Octavio Penna Pieranti, explica que a evolução da TV 3.0 se dará por meio da interação de aplicativos diretamente no televisor, substituindo os canais numéricos tradicionais, e pela transmissão de dados adicionais, além de acesso a plataformas de serviços públicos diretamente pela televisão.
Quem tiver acesso à internet, terá a possibilidade de interagir com diversos conteúdos, de baixar determinados conteúdos fora da grade de programação normal e de acessar plataforma de serviços públicos do governo federal e, depois, com parceiros estaduais e municipais. Também traz uma inovação significativa na relação entre telespectador e seu aparelho de televisão”, resumiu.
A TV 3.0 foi projetada para ser híbrida, unindo o sinal de radiodifusão à internet. Por isso, quem não tiver acesso à internet continuará sintonizando os canais abertos, por meio do sinal digital. Os dois sistemas vão funcionar simultaneamente.
O Ministério das Comunicações esclarece que nenhum brasileiro será prejudicado com a implantação da TV 3.0 e que nenhum cidadão precisará trocar de TV imediatamente.
O diretor de Radiodifusão Privada do Ministério das Comunicações, Nelson Neto, disse que o governo federal quer garantir acesso democrático e acessível à nova tecnologia.
