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Dia a Dia

Governo avança na negociação para a compra de 70 mi de doses da vacina da Pfizer

8 de dezembro de 2020 Dia a Dia
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vacina covid
Comitê enviará relatórios quinzenais sobre as ações de desenvolvimento da vacina (Foto: Banco de Imagem/Governo Federal)
Da Folhapress

SÃO PAULO – O Ministério da Saúde informou na noite desta segunda-feira, 7, que está negociando a compra de 70 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 da empresa americana Pfizer com a alemã BioNTech.

A pasta afirma que os termos “já estão bem adiantados” e que um acordo deve ser anunciado no início desta semana.

“O governo brasileiro e a Pfizer avançam nas tratativas na intenção de compra de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer e Biontech contra a Covid-19, a ser fornecido em 2021. Os termos já estão bem avançados e devem ser finalizados ainda no início desta semana com a assinatura do memorando de intenção”, afirma o texto.

O anúncio acontece em meio à pressão do governo brasileiro, que até então apostava apenas na vacina da AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, além da compra de 40 milhões de doses da vacina através do consórcio Covax Facility.

A vacina da AstraZeneca, no entanto, apresentou problemas nos testes clínicos, o que pode atrasar a concessão do registro para a aplicação na população brasileira.

Por outro lado, a Pfizer se tornou a primeira vacina reconhecida no mundo ocidental na semana passada, com o registro concedido pelas autoridades do Reino Unido. O país europeu promete iniciar nesta semana a vacinação de sua população, disponibilizando 800 mil doses.

Além disso, a próprio Pfizer informou que já havia vendido cerca de 60 milhões de doses para outros países da América Latina e que o prazo do Brasil estava se esgotando.

Do lado político, o governador João Doria (PSDB), um dos principais adversários do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), anunciou também nesta segunda-feira que vai começar a vacinação em São Paulo no dia 25 de janeiro.

O estado de São Paulo adquiriu a vacina Coronavac, parceria da chinesa Sinovac com o Instituto Butantan.

A escolha da Pfizer, de certo modo, surpreende porque os próprios técnicos do Ministério da Saúde ressaltavam a dificuldades em sua incorporação ao plano de vacinação nacional por conta das dificuldades em armazenagem.

Na semana passada, o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, afirmou que a vacina ideal, dentre outras características, deveria “fundamentalmente” poder ser armazenada em temperatura entre 2 e 8 graus – padrão para a rede de frios brasileira.

A imunização da Pfizer exige condições especiais de armazenamento, com temperatura de menos 70 graus.

A empresa, no entanto, vem afirmando que pode contribuir disponibilizando mecanismos para facilitar seu transporte e armazenamento.

No dia 1º de dezembro, o Ministério da Saúde havia informado que as vacinas contra a Covid-19 que serão incluídas no Plano Nacional de Imunização deveriam “fundamentalmente” ser termoestáveis e poder ser armazenadas em temperaturas de 2°C a 8°C.

Na prática, o anúncio significava que a vacina desenvolvida pela americana Pfizer e a alemã BioNTech não deveria ser aplicada no Brasil, uma vez que exige condições especiais de armazenamento, com temperaturas de -70º C.

A Pfizer já pediu às autoridades de regulação de medicamentos da Europa a autorização para uso emergencial de sua vacina. O mesmo processo já havia sido iniciado nos Estados Unidos.

A Pfizer divulgou estudos que mostram que sua vacina é 95% eficaz contra o novo coronavírus.

Em entrevista coletiva na semana passada, o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Arnaldo Medeiros, afirmou que é desejável que a vacina seja aplicada em uma única dose e que também que ela seja “fundamentalmente” termoestável por longos períodos, em temperaturas de 2°C a 8°C. O representante da pasta não citou especificamente nenhuma vacina.

“O que nós queremos de uma vacina? Qual o perfil de uma vacina desejada? Claro, que ela confira proteção contra a doença grave e moderada, que ela tenha elevada eficácia, que ela tenha segurança, que ela seja capaz de fazer uma indução da memória imunológica, que ela tenha possibilidade de uso em diversas faixas etárias, e em grupos populacionais”, disse o secretário.

“E que idealmente ela seja feita de dose única, embora muitas vezes isso talvez não seja possível, só seja possível em mais de uma dose, mas fundamentalmente que ela seja termoestável por longos períodos, em temperaturas de dois a oito graus. Por quê? Porque a nossa rede de frios, nessas 34 mil salas, é montada e estabelecida com uma rede de frios de aproximadamente 2°C e 8°C”, afirmou Medeiros.

Também nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de R$ 59,4 milhões para PNI (Programa Nacional de Imunização) para enfrentar a Covid-19 com a compra de equipamentos de refrigeração para armazenar vacinas.

Segundo a pasta, os recursos foram instituídos em caráter excepcional e temporário, por meio de portaria publicada nesta segunda, no DOU (Diário Oficial da União).

O dinheiro será repassado a todos os estados em parcela única para a aquisição dos equipamentos. De acordo com a pasta, as CIBs (Comissões lntergestores Bipartite) -entre estado e município- e o colegiado de gestão de saúde do Distrito Federal definirão as unidades a serem beneficiadas, como entre salas de vacinas dos municípios com mais de 100 mil habitantes, centrais de rede de frio de instâncias municipais, regionais e estaduais.

A entrega dos equipamentos será feita diretamente pelos estados a municípios.

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Assuntos doses, Ministério da Saúde, negociação, Pfizer, vacina
Redação 8 de dezembro de 2020
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