
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – A capital amazonense amanheceu encoberta por fumaça pelo sétimo dia consecutivo, neste sábado (4). A fumaça, antes presente e densa no ar, se expandiu até o solo. A visibilidade nas ruas, avenidas e calçadas só é possível bem de perto.
Os bairros Morro da Liberdade, Colônia Oliveira Machado e Vila Buriti, todos na zona Sul, registraram a pior qualidade do ar, de acordo com o aplicativo Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental), lançado no final de setembro pela UEA (Universidade do Estado do Amazonas).
Na sexta-feira (3), o pior nível de poluição do ar em Manaus medido pelo aplicativo foi registrado nesses bairros da zona Sul, com variações entre 210,8 e 195,6, entre os sensores reais (aparelhos instalados pela UEA).
Neste sábado, na mesma área, a qualidade do ar teve nível máximo de 437,6, às 8h. A fumaça foi se dissipando e a qualidade do ar melhorando, mas ainda em nível “péssimo” em quase todas as áreas da cidade monitoradas pelo Selva.
Às 8h46min, com o desaparecimento gradativo da fumaça, os lugares de Manaus com piores níveis eram os bairros Dom Pedro, na zona Oeste com 273,8 (às 8h era 329,4), e Mauazinho, com 258,2 (antes era de 372,4).
No amanhecer de sexta-feira (3), apenas uma área monitorada, entre os bairros de São Jorge e Santo Agostinho, zona Oeste da cidade, indicava qualidade do ar “muito ruim”, com nível 74,7. A única estação virtual, no bairro da Cachoeirinha, zona Sul, apontada qualidade do ar “moderada”, com 40,1 de nível de poluição. Neste sábado (4), a área monitorada na zona Oeste baixou para 57,1. A estação virtual do bairro Cachoeirinha registrava qualidade de ar de 31,4.
As mudanças climáticas globais provocou pelo menos um efeito imediato em Manaus. A tradicional chuva do final da tarde do dia 2 de novembro (Finados) não ocorreu esse ano, embora a cidade tenha registrado períodos de chuvas não corriqueiras no final do mês de outubro.
Além das mudanças climáticas, o alto número de incêndios e queimadas contribuem para a fumaça. Na sexta-feira o governador Wilson Lima (União Brasil) afirmou que as fumaças no Estado são provenientes de incêndios registrados no Pará.
Esse discurso tem sido repetido também pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). No dia 30 de outubro, a prefeitura publicou nota no site oficial do município afirmando que “a fumaça que voltou a encobrir a capital amazonense, nesta segunda-feira, 30/10, tem origem nos municípios da Região Metropolitana de Manaus”.
