
A montadora alemã Volkswagen confirmou no mês de novembro que a produção do Gol será descontinuada no Brasil em definitivo, após mais de quatro décadas de produção ininterrupta no mercado nacional.
O Gol foi um enorme sucesso de vendas, tendo sido líder em seu segmento por 27 anos. Um case bem-sucedido que deixou uma marca histórica no setor automobilístico e que será sucedido pelo Novo Polo Track.
Para se despedir do veículo, a montadora apresentou uma série especial chamada “Gol Last Edition” (Última Edição), desenvolvida pela equipe da Volks no Brasil com montagem de apenas mil unidades.
Agora, o Polo Track assumirá o posto de carro mais barato da marca, cujo modelo mais simples e robusto custará os mesmos R$ 79.990,00 do Gol.
Lançado em 1980, o Gol foi o sucessor do Fusca – um dos carros mais vendidos do século XX no Brasil, com 8 milhões de unidades produzidas.
Futuro da Volkswagen
Acredita-se que um dos quatro novos carros compactos que a montadora alemã vai lançar entre 2023 e 2026 na América do Sul será um substituto direto para o Gol ou mesmo uma nova geração dele. No entanto, é muito provável que o ‘novo Gol’ seja, na verdade, um SUV de entrada.
Já se sabe que os modelos a serem lançados, após investimento inicial de R$ 7 bilhões, serão uma família de carros de entradas que inclui uma picape compacta nacional (sucessora da Saveiro) e uma picape intermediária (derivada da Tarok) – ambas fabricadas em solo argentino.
De toda forma, o anúncio de descontinuação do Gol pegou muita gente de surpresa. Porque afinal o modelo está saindo de linha após mais de 40 anos como um dos carros mais vendidos e queridos do Brasil? Entenda alguns motivos que pesaram para isso.
1 – Mesma geração desde 2008
O Gol não vê sua geração ser atualizada há catorze anos. Sua plataforma de montagem ainda é a PQ24, mesma do Voyage e Saveiro, lançados em 2002 ao lado do Polo.
Essa defasagem impõe limitações técnicas graves, como a ergonomia e o espaço interno do veículo, além de dificultar o enquadramento do Gol nas legislações ambientais vigentes.
2 – Controle de estabilidade e outros equipamentos de segurança
A última atualização do sistema eletrônico do Gol ocorreu em 2012, junto de sua reestilização externa. Infelizmente, isso não é suficiente para adotar o chamado controle de estabilidade – equipamento que será obrigatório em todos os carros zero km a partir de janeiro de 2023.
Para se ter uma ideia, hoje nem mesmo as versões com câmbio automático de Gol e Voyage têm controle de estabilidade. Por isso, não vale a pena investir no desenvolvimento do controle de estabilidade para a linha Gol, pois um ano depois, em janeiro de 2024, proteção contra batidas laterais, faróis de rodagem diurnos e o aviso de não afivelamento de cintos de segurança também se tornarão obrigatórios.
3 – Carros cada vez mais caros – inclusive os compactos
Ao longo do ano de 2022, os preços do Volkswagen Gol têm variado entre os R$ 67.790 da versão 1.0 básica e os R$ 90.820 do Gol 1.6 16V automático completo.
Sem dúvida um veículo caro – como qualquer outro carro zero km. O problema é a concorrência quase brutal de automotores de outras marcas que são mais bem equipados e mais confortáveis.
4 – Ascensão dos SUVs
Nos últimos anos, o Renault Kwid antecipou uma tendência quase mundial dos carros de entrada com um ‘toque’ dos SUVs.
Afinal, uma suspensão mais alta que evita raspões e outros atributos físicos que são um grande diferencial em relação aos carros compactos conquistou a simpatia – e o desejo – de grande parte do público consumidor.
5 – Gol de locadora?
Em 2020, o VW Gol viu suas vendas dispararem após alguns bons anos sendo coadjuvante entre os carros compactos. Naquela época, foram 71.151 unidades emplacadas, ocupando a quarta posição no ranking geral entre os automóveis.
Ao mesmo tempo, ele foi o carro mais vendido do Brasil em vendas diretas, com 50.494 emplacamentos. Sete em cada dez Gol’s vendidos em 2020 foram destinados a empresas.
A tendência seguiu em 2021.
No entanto, as chamadas vendas diretas não são as mais lucrativas para as fabricantes, que acabam lucrando pela quantidade. Em tempos normais, sem crises macroeconômicas, as vendas diretas ajudam a compor a demanda para manter o ritmo de produção ideal.
Infelizmente, com a crise dos semicondutores, essa equação está cada vez mais inalcançável.
Fonte: Garagem 360
