
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS — Alexsandro da Silva, conhecido como “Branco”, de 36 anos, foragido do presídio de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus), é investigado pela Polícia Civil também em outro inquérito sobre o sumiço de uma segunda mulher e de duas crianças. Ele estava preso suspeito do desaparecimento de Ana Paula da Costa Barbosa, 28 anos, e dos filhos dela, Kauã Miguel, de 10 anos, e Maria Ísis, de 7,
De acordo com o delegado Marcelo Lopes, responsável pelas investigações em Alvarães (a 531 quilômetros de Manaus), as diligências no caso de Ana Paula revelaram indícios de envolvimento de Alexsandro no desaparecimento de Hevilyn Kalena de Souza Solart, de 25 anos, vista pela última vez em outubro de 2024 quando viajava de Tefé para Manaus. Os filhos dela, Yuri Kalel da Silva, 4 anos, e Hanna Sophia Solart, de 9, também estão desaparecidos.
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“Ele está sendo investigado, inclusive essa informação foi uma das que subsidiou o pedido de conversão da [prisão] temporária em preventiva. Nós executamos um mandado de busca e apreensão em uma das residências dele e foi encontrada uma certidão de nascimento dessa criança. E aí a gente verificou que ela [criança] estava desaparecida juntamente com mais uma irmã e a mãe, que era um caso de desaparecimento que aconteceu em Tefé”, disse o delegado.

Segundo Marcelo Lopes, o desaparecimento de Hevilyn Kalena e dos filhos era apurado inicialmente pela Deops (Delegacia Especializada em Ordem Política e Social). Quando surgiu a ligação entre ela e Alexsandro — apontado como ex-namorado da jovem — foi instaurado um novo inquérito. A polícia também ouviu familiares, que reforçaram suspeitas sobre o envolvimento dele no caso.
O delegado disse que o atraso na comunicação dos fatos dificultou as investigações. O sumiço de Ana Paula ocorreu em abril de 2024, mas a ocorrência só foi registrada em fevereiro de 2025. “A maior dificuldade é que o registro sobre o primeiro desaparecimento ocorreu só aproximadamente um ano após o desaparecimento. E a partir do momento que a investigação iniciou, nós descobrimos ligação com outro desaparecimento”, afirmou.
Ainda conforme o delegado, Alexsandro apresenta um padrão de conduta. “Um modus operandi que se repete. Tanto na identificação da vítima, como na interação com a família. Ele se aproveita da vulnerabilidade delas, que são mães solos, e as manipula. Tudo isso é um comportamento que a gente conseguiu identificar de forma padronizada.”
Antes de fugir, Alexsandro chegou a dar informações falsas para despistar a polícia. “Ele disse que Ana Paula havia viajado para Manaus e desde lá não teve mais contato com ela”, contou Marcelo Lopes.
Alexsandro possui antecedentes por estupro de vulnerável, violência doméstica e apropriação indébita. Ele havia sido preso em 23 de maio deste ano, mas fugiu do presídio de Tefé na segunda-feira (14).
A família de Ana Paula alega que houve facilitação para a fuga, mas a direção do presídio nega. “A secretaria, o presídio, está juntamente com a delegacia em busca constante de recapturar o cidadão. De maneira alguma houve uma espécie de facilitação. Estamos em constante contato com o delegado e, Deus quiser, logo, logo a gente vai ter a recaptura do cidadão”, informou a polícia.
