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Política

Falta ‘substância’ em acusação envolvendo laranjas, diz Bolsonaro

2 de julho de 2019 Política
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Marcelo Alvaro e Bolsonaro
Jair Bolsonaro se encontrará com o Marcelo Álvaro em uma audiência (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)
Da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça-feira, 2, que poderá afastar o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), se seu assessor especial, indiciado pela Polícia Federal, confirmar a participação dele em esquema de candidaturas laranja do PSL, caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.

Apesar de o ministro ter tido três auxiliares presos e a PF ter identificado elementos de sua participação no esquema, Bolsonaro disse que não há ainda “nada contra ele” e que falta uma acusação “com substância”.

Nesta terça, foram indiciados o assessor especial e braço direito do ministro, Mateus Von Rondon, e os ex-assessores Roberto Soares e Haissander de Paula por suspeita dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

“Por enquanto, tenho 22 ministros, sem problema. Tem de ter acusação grave, acusação com substância. Por enquanto, não tem nada contra ele. Se o assessor falar e for confirmado que ele tem participação, aí a gente toma providência”, disse.

Em conversa com a imprensa, na segunda-feira, 1º, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro “não teve em nenhum momento uma suposição” de tirar o ministro. Na semana passada, no entanto, o presidente disse que tomaria uma providência se fosse descoberta “alguma coisa mais robusta”.

O presidente se encontrará com o ministro nesta terça, durante reunião ministerial, e deve ter uma audiência privada com ele, no Palácio do Planalto, até a quinta-feira (4). Na segunda, Bolsonaro discutiu a investigação sobre as candidaturas laranja com o ministro da Justiça, Sergio Moro.

Apesar da decisão de Bolsonaro, a maior parte do núcleo militar defende que o presidente demita imediatamente o ministro, evitando que a sua permanência desgaste ainda mais a imagem do governo. 

Desde que o caso das candidaturas laranjas do PSL veio à tona, Bolsonaro tem dito que aguarda a investigação para tomar alguma medida A repercussão do episódio resultou na saída de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência.

O então ministro, que comandou o PSL em 2018, disse na ocasião que as revelações não haviam resultado em uma crise dele com Bolsonaro, mas acabou sendo desmentido publicamente pelo vereador Carlos Bolsonaro. O presidente ficou ao lado do filho e demitiu o ministro. 

A polícia também investiga esquema de laranjas no PSL de Pernambuco, estado do presidente nacional da sigla, o deputado federal Luciano Bivar. A Folha de S.Paulo mostrou em fevereiro que candidatos com votações pífias receberam ao menos R$ 15 milhões em dinheiro público dos fundos partidário e eleitoral.

Como mostraram as reportagens da Folha de S.Paulo, na eleição do ano passado, Álvaro Antônio, reeleito sendo o deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara.

Após indicação do PSL de Minas, presidido à época pelo próprio Álvaro Antônio, o comando nacional do partido de Bolsonaro repassou R$ 279 mil a quatro candidatas. O valor representa o percentual mínimo exigido pela Justiça Eleitoral (30%) para destinação do fundo eleitoral a mulheres candidatas.

Apesar de figurar entre os 20 candidatos do PSL no país que mais receberam dinheiro público, essas quatro mulheres tiveram desempenho insignificante. Juntas, receberam pouco mais de 2.000 votos, em um indicativo de candidaturas de fachada, em que há simulação de alguns atos reais de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos.

Dos R$ 279 mil repassados pelo PSL, ao menos R$ 85 mil foram parar oficialmente na conta de quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro.

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Assuntos Jair Bolsonaro, laranjas, PSL
Redação 2 de julho de 2019
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