
Por Angela Boldrini e Thiago Resende, da Folhapress
BRASÍLIA-DF – A confusão da base governista tem irritado um dos principais aliados do Planalto na tramitação da reforma da Previdência: o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR). Membro do partido do presidente, o deputado afirmou nessa segunda-feira, 15, estar perplexo com a falta de estratégia do governo para a aprovação da proposta.
Além disso, criticou a posição da sigla de votar contra si própria para evitar que o fato de a PEC do Orçamento impositivo ter sido colocada primeiro para votação fosse caracterizada como uma derrota. “O que me deixa perplexo é essa falta de estratégia mesmo”, disse o presidente. Francischini deixou a sessão brevemente para marcar presença no plenário da Casa.
Durante todo o dia, porém, demonstrou irritação – mais com o governo, de quem é aliado, que com a oposição, que tenta obstruir a votação da Previdência. “É mais uma questão de insatisfação porque a gente poderia estar tendo uma tropa de choque”, afirmou. “O que eu estou irritado é que me cobram uma postura, e não vêm defender na comissão. Eu estou tomando tiro toda hora e ninguém defende, ninguém contradita questão de ordem”, disse.
Francischini chegou a desabafar com deputados da comissão que sente que está sendo cobrado para agir como líder do governo. Depois de um entrevero com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e um deputado da base, ele chegou a deixar a mesa para a vice-presidente, Bia Kicis (PSL-DF).
A
deputada petista se inscreveu para falar contra a PEC do Orçamento -foi
interpelada pelo presidente, uma vez que a parlamentar é declaradamente
favorável à votação. A manobra se tratava de parte da estratégia da oposição de
discursar ao máximo para alongar o trâmite.
Rosário argumentou que iria fazer uma “reflexão contrária”. Francischini
debatia com ela, quando um deputado da base argumentou: “é que se for falar a
favor, tem outros na frente”.
O presidente da CCJ se irritou: “Se o governo não se incomoda com as etapas da comissão, está com a palavra, deputada”, disse por fim, levantando-se da mesa. Francischini disse nesta segunda que é o governo que tem de ser responsável pela contagem de votos, e que apenas irá pautá-la. Ele também não quis se comprometer com o cronograma do Planalto, que pretende encerrar a etapa da comissão até esta quarta, 17.
