
Por Jullie Pereira, da Redação
MANAUS – A falta de comprometimento com as orientações de isolamento social é um dos fatores atribuídos pelas autoridades de saúde para o aumento no número de casos de coronavírus no Amazonas. A situação exigiu até mesmo ações da SSP (Secretaria de Segurança Pública) para fechar comércios e paralisar atividades não essenciais. Especialistas defendem que o conhecimento é a melhor maneira de se fazer cumprir as medidas de restrição social adotadas pelos governos estaduais e municipais.
“O que está em jogo é o conhecimento, não o contato. A medida que o conhecimento for levado à sério, principalmente por nossas autoridades, o contato será evitado. Esse dilema entre contato e isolamento é um falso problema, o que falta à população é esclarecimento que algumas autoridades políticas, religiosas, estão falseando”, diz o sociólogo Luiz Marques
Autoridades de saúde dos estados e municípios desde o início das restrições sociais adotaram campanhas educativas para informar, mas o resultado não tem sido alcançado. Já são 3.365 casos confirmados de coronavírus no Amazonas, considerando apenas os números oficiais.
O sociólogo defende que em situações como essa, o conhecimento deve estar aliado ao uso da força. “Apenas pedir para que as pessoas fiquem em casa não vai resolver o problema”, diz. Luiz Marques cita agentes sociais que estão usando narrativa contrária às recomendações dos órgãos oficiais de saúde.
“Todo hábito é resultado do uso da força. Para as pessoas ficarem em casa, infelizmente, terá que se tomar medidas duras porque não se está lutando contra o cidadão, mas contra estruturas do próprio estado, que disseminam ideias fora do lugar, como entidades sociais, igrejas, médicos e o poder econômico. É possível verificar que o estado terá que usar a força para as pessoas ficarem em casa ou teremos muitas mortes”, disse.

Além das figuras notórias que são contra o isolamento social, como políticos e pastores, parte da população se nega a cumprir as medidas e atacam cientistas e pesquisadores. O sociólogo explica que é uma reação comum na história e com o avanço da doença os grupos devem ter outra compreensão.
“Sempre existiram as pessoas que pregavam contra a ciência, contra a medicina. Isso só irá diminuir quando os cadáveres de parentes e amigos queridos baterem na porta da gente. A ideia de confrontar a ciência será abandonada. Muitas pessoas que no início defendiam a abertura do comércio já estão mudando de ideia”, disse.
A psicóloga Patrícia Siqueira também afirma que o conhecimento e o sentimento de empatia devem ser as estratégias usadas para levar o cidadão a respeitar o isolamento.
“Um novo cenário já está acontecendo e a comunicação será forte aliada como estratégia de conscientização. É possível estimar que esse momento só terá grandes melhorias e bons resultados se um ajudar o outro, utilizando a empatia”, disse.
A psicóloga atribui as falhas no isolamento à dificuldade que os seres humanos têm de aceitar as mudanças de hábitos. “O isolamento social é um momento de adaptações e readaptações. O fato de muitas pessoas não estarem dando a devida importância ao isolamento social pode ser relacionado a resistência às mudanças”, disse.
Para Patrícia Siqueira, as estratégias do governo são tentativas positivas para o momento de pandemia. “Atualmente, não se trata de classificar como certo ou errado, mas são tentativas dos poderes públicos, que podem posteriormente serem alteradas, com o objetivo de que o cenário manauara se restabeleça o quanto antes”.
