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Economia.

Falta ambiente favorável à bioeconomia na Amazônia, dizem empresários

31 de outubro de 2019 Economia.
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Juta: potencialidade natural da Amazônia (Foto: Fapeam/Divulgação)
Juta: potencialidade natural da Amazônia (Foto: Fapeam/Divulgação)

Da Ascom CNI

BRASÍLIA – A Região Amazônica tem potencial para fazer avançar a agenda de bioeconomia, mas é preciso construir um ambiente favorável para isso, com regras claras e segurança jurídica. A afirmação é do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ao abrir o projeto Amazônia+21, nessa quarta-feira, 30, na sede da CNI, em Brasília. O objetivo da iniciativa é promover a criação de novos modelos sustentáveis de desenvolvimento para a região. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve no evento.

Segundo Andrade, o Fórum Amazônia+21 contribuirá para a melhor integração entre os nove países que integram o bioma amazônico. Além disso, ele destacou que a indústria brasileira pode se tornar referência no uso eficiente dos recursos naturais e aproveitar oportunidades associadas à economia de baixo carbono e ao uso da biodiversidade da região. “O Brasil tem papel decisivo no desenvolvimento sustentável da Amazônia, haja vista que 60% desse bioma encontra-se em território brasileiro”, assinalou.

Andrade acrescentou que o Brasil é um dos líderes globais em tecnologia florestal, tanto em manejo sustentável como de produção em plantações florestais para fins industriais, e a agenda climática traz mais oportunidades para o setor florestal. “A manutenção e a expansão das áreas cobertas por florestas dependem diretamente do aumento da demanda por produtos de base e origem florestal e da inserção brasileira em mercados internacionais”, declarou. “O incremento das exportações depende do crescimento de setores industriais ligados à produção de cosméticos, fármacos, alimentos, energia, papel, celulose, móveis, entre outros”.

Riquezas

Para o ministro do Meio Ambiente, a iniciativa Amazônia+21 é importante oportunidade para debater e alavancar o desenvolvimento econômico, aproveitando o potencial da região, aliado à conservação ambiental. “A Amazônia tem um grande potencial para a geração de riquezas, mas que é subaproveitado. Vamos sair do discurso para a prática”, destacou Salles. “É preciso criarmos soluções para melhorar a vida dos mais de 20 milhões de brasileiros que vivem nessa região, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano do país.”

Salles afirmou ainda que, para alavancar o desenvolvimento sustentável da Região Amazônica, é preciso superar desafios legais, como a regularização fundiária, e de planejamento, como o zoneamento econômico ecológico, e exigir dos países desenvolvidos o cumprimento de acordos internacionais para destinação de recursos aos países que preservam o meio ambiente. “O Brasil já tem as metas mais ambiciosas no Acordo Climático. Já fazemos a nossa parte com grande participação de energias renováveis na matriz energética e com agricultura e indústrias ambientalmente sustentáveis. Vamos passar a exigir que sejamos compensados por fundos internacionais pelos esforços feitos”, afirmou.

A opinião foi compartilhada pelo senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que ressaltou que as comunidades locais estão interessadas em promover o desenvolvimento econômico e, para isso, é preciso agilizar a regularização fundiária. Ele complementou que empresas estrangeiras de fármacos e cosméticos já desenvolvem produtos a partir do mapeamento genético da biodiversidade brasileira, mas sem pagar por esses recursos. “Isso faz com que a Região Amazônica, extremamente rica, viva como pobre”, declarou.

O presidente da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho, Marcelo Thomé, que também preside a Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), disse que é preciso remover a dicotomia entre desenvolvimento e preservação. “É possível, sim, aliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental por meio do diálogo, identificação de caminhos inovadores e tendo a ciência como base desse elo”, afirmou.

Iniciativa inovadora

O projeto Amazônia+21 foi apresentado pelo diretor técnico da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho, Armando Moreira Filho. A proposta é promover a criação de novos modelos de desenvolvimento para a região por meio de negócios sustentáveis, valorização das riquezas culturais da região, atração de investimentos e ciência e tecnologia. “Quando encontrarmos soluções que ajudem na geração de renda para comunidades locais, elas ajudarão a proteger o meio ambiente de forma mais efetiva”, afirmou Moreira Filho.

Por meio da iniciativa, será realizado um encontro internacional para empresários, investidores, pesquisadores e representantes de governo de 5 a 8 de maio de 2020, em Porto Velho (RO). Será o maior fórum mundial de diálogos sobre desenvolvimento sustentável da região amazônica, com temas relacionados a ciência e pesquisa aplicada, novos negócios, fundos para investimentos e questões socioculturais, abrangendo os nove países que compõem a região amazônica.

Já estão confirmadas as presenças de referências mundiais em desenvolvimento sustentável como o meteorologista brasileiro Carlos Nobre, o diretor da consultoria SustainAbility, John Elkington, e Marc Jean Dourojeanni, professor emérito da Universidade Nacional Agrária La Molina, no Peru. Participaram também do lançamento do Amazônia+21 os deputados federais Coronel Chrisóstomo (PSL-RO), Silvia Cristina (PDT-RO) e Confúcio Moura (PMDB-RO).

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Assuntos Amazônia, bioeconomia, Confederação Nacional da Indústria
Cleber Oliveira 31 de outubro de 2019
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