
Do ATUAL
MANAUS — Facções criminosas que atuam no Amazonas têm controlado a vida de mulheres que vivem em áreas dominadas por esses grupos. O estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025 mostra que, onde o Estado não chega, as facções impõem regras e usam a violência como forma de comando.
O relatório analisa a Amazônia Legal, formada por nove estados. Embora trate da região inteira, as análises mais detalhadas sobre presença de facções e disputas territoriais se concentram em Amazonas, Roraima, Pará e Mato Grosso. O documento destaca que o Amazonas é estratégico por causa das rotas fluviais usadas no tráfico.
Segundo o estudo, mulheres que se relacionam com membros das facções vivem sob controle constante. Elas precisam seguir regras sobre roupas, amizades, deslocamentos e até sobre terminar um relacionamento. Quem desobedece pode sofrer agressões ou até ser morta. Mesmo mulheres sem ligação com faccionados podem ser punidas por atitudes vistas como desrespeito ou aproximação de grupos rivais.
O relatório mostra também que algumas mulheres entram nas facções por pressão, ameaça ou dívida. Elas acabam em funções perigosas e são tratadas como parte dos recursos do grupo.
O isolamento da região agrava o problema. As longas distâncias e as rotas fluviais dificultam denúncias e tornam arriscado o retorno ao território, mesmo para quem busca proteção.
O estudo liga ainda a presença das facções ao garimpo ilegal. Em áreas de mineração, os grupos controlam transporte, currutelas e o mercado sexual. Nesses locais, mulheres enfrentam exploração sexual, ameaças e servidão por dívida.
No Amazonas, cidades como Manaus, Coari, Japurá, Itacoatiara e Parintins têm forte presença de facções. Isso aumenta o poder desses grupos para impor regras e controlar o comportamento das mulheres nas comunidades onde atuam.
