
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Quando todos pensam que os arroubos da extrema direita chegaram ao topo, ela dobra a aposta. Depois de tentar convencer seus seguidores de que o Brasil vive uma ditadura, agora defendem que o conspirador Eduardo Bolsonaro cumpra o mandato de deputado federal no parlamento brasileiro estando nos Estados Unidos.
Os dois argumentos que usam para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro e livrá-lo da prisão são falsos. Os mesmos elementos que agora afirmam que o Brasil está sob um regime autoritário e sob censura negam a ditadura militar instalada em 1964, que prendeu e matou centenas de pessoas que clamavam por democracia.
Os mesmos elementos que clamam por liberdade e democracia no Brasil para defender Bolsonaro lançam ofensas, calúnias e xingamentos contra autoridades. Deputados de extrema direita e aliados usam a tribuna e as redes sociais para chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ladrão e lançam palavras ofensivas impronunciáveis contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Em uma ditadura ou em um regime autoritário, estariam presos, mas sequer sofrem uma ação judicial por injúria, calúnia e difamação, que em muitos casos até caberia. Onde está o autoritarismo diante de um pastor que grita até babar pelos cantos da boca contra as autoridades constituídas e nada sofre de retaliação?
Autoritarismo estamos assistindo nos Estados Unidos, onde imigrantes que vivem no país há mais de 30 anos passaram a se esconder para não serem deportados à força; manifestações nas ruas são proibidas e reprimidas pela polícia e polo Exército. Juízes são punidos por decisões que desagradam o governo de Donald Trump. E mais recentemente, Trump, achando ser o “imperador do mundo”, tenta impor regras em outros países, como quer fazer com o Brasil.
A extrema direita tenta distorcer os fatos com uma série de mentiras sobre o que anda acontecendo. O ex-presidente Jair Bolsonaro não está sendo punido pela tentativa de golpe, ainda. Neste momento, as restrições impostas por Alexandre de Moraes foi por obstrução da Justiça no processo em que é réu, no Supremo Tribunal Federal.
Bolsonaro e seu filho Eduardo, o deputado licenciado que se mudou para os Estados Unidos para tentar livrar o pai da cadeia, tem conspirado contra o Brasil, ameaçado autoridades e policiais federais e vem contribuindo para que o presidente dos Estados Unidos imponha sanções ao povo brasileiro, como a elevação de tarifas de importação de produtos vendidos aos Estados Unidos.
A Bolsonaro o ministro Alexandre de Moraes impôs uma série de restrições e a tornozeleira eletrônica porque do Brasil ele dava apoio financeiro e incentivava o filho a conspirar contra a Justiça brasileira. Esse apoio era declarado; um deboche ao Poder Judiciário.
Agora, deputados e senadores de extrema direita se mobilizam para tentar mudar a legislação tanto para livrar a barra de Bolsonaro quanto para manter o filho nos Estados Unidos sem a possibilidade de perder o mandato. A legislação atual permite ao deputado licença de até 90 dias. Depois desse prazo, se ele não retornar ao cargo, perde o mandato.
Nesta segunda-feira (21), o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o partido quer “garantir que Eduardo Bolsonaro termine seu mandato”. E explica como pretende fazer: “Qual é a forma que vamos dar pra isso? Seja votando matérias legislativas ou com soluções políticas, nós veremos o depurado Eduardo Bolsonaro concluindo o mandato dele”. E conclui: “Logicamente que com toda essa perseguição, em continuando dessa forma, ele exercerá esse mandato desde onde ele mora hoje que é dos Estados Unidos”.
Ora, ora, ora. Como aceitar um absurdo desses? Como aceitar uma mudança na legislação para permitir que uma pessoa que conspira contra o seu próprio país exerça o mandato de deputado federal de outro país onde se protege para não ser punido com os rigores da lei?
Para quem olha com visão crítica só enxerga o absurdo da proposta; para quem de alguma forma ainda acredita que a extrema direita tem alguma coisa a oferecer ao Brasil precisa entender que essa gente, no mínimo, subestima a inteligência dos que os apoia, debocha da cara deles e abusa de sua ingenuidade.

