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Variedades

Exposição Latitude Amazônica alia arte e ciência na interpretação das nuvens amazônicas

1 de junho de 2018 Variedades
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A exposição faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente do Inpa que acontece na próxima semana (05 a 10 de junho), com entrada gratuita, mas a mostra segue até o dia 26 de agosto. (Foto:Divulgação)

 

MANAUS – Artista que pinta as paisagens amazônicas há quase 50 anos, Jair Jacqmont, 71, estreia a exposição Latitude Amazônica, neste sábado (02), às 10 horas, no Paiol da Cultura do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). Com um painel panorâmico de 22m, o artista plástico traz as nuvens, em tons azuis, à altura do olhar para levar o visitante a refletir com o auxílio da ciência sobre a importância da floresta amazônica para a manutenção do clima na América do sul.

“As pessoas gostam da cultura e querem saber da ciência o porquê das coisas. Como se formam as nuvens, como se comportam a seca e a chuva. Eu, como artista plástico, faço a minha interpretação da natureza e os cientistas vão explicar os motivos”, destacou Jacqmont que na pintura faz uma divisão da paisagem em nuvens, floresta e rio, o rio Amazonas.

De diferentes formas, cores e tamanhos, as nuvens fazem parte do imaginário das pessoas. Muitas já passaram horas observando o céu e tentando encontrar formas conhecidas nas nuvens, como cachorrinhos, cavalos, pássaros e rostos, a depender da criatividade do observador. No movimento das nuvens e dos ‘rios voadores’, que distribuem água da Amazônia para várias áreas da América do Sul, a proposta da exposição promovida pelo programa LabVerde é “casar” cultura e ciência.

A exposição faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente do Inpa que acontece na próxima semana (05 a 10 de junho), com entrada gratuita, mas a mostra segue até o dia 26 de agosto, no horário de funcionamento do Bosque da Ciência do Inpa, de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h 16h (entrada), sábado e domingo das 9h às 16h (entrada). O espaço de visitação pública do Inpa fica na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus.

O trabalho do artista plástico conta com o auxílio científico do gerente operacional pelo lado Alemão da Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), o pesquisador Stefan Wolff, especializado nos estudos de formação de nuvens. Com 325m de altura, a Atto é a maior torre de monitoramento climático do mundo.

“Esse ‘link’ arte e ciência é uma boa oportunidade para um grande público ver o que a ciência faz, e a arte dá outra visão para os estudos científicos. É uma boa abordagem de tratar um assunto diferente e chegar a uma forma nova”, destacou o meteorologista alemão.

Segundo o pesquisador, é fundamental que a sociedade entenda a importância da floresta amazônica na formação das nuvens, das chuvas e dos ‘rios voadores’ que são rios aéreos de vapor alimentados pela umidade que evapora da floresta amazônica e que transporta pela atmosfera matéria-prima para causar chuvas no Brasil e outros países como Argentina, Uruguai e Paraguai.

“Nós precisamos de uma floresta saudável e em pé para deixarmos esse sistema complexo e rico com a formação de chuvas e a precipitação por toda a América do Sul. Quando se destrói esse sistema com o desmatamento, por exemplo, isso tem efeitos graves não só na Amazônia, mas em várias regiões do planeta”, destacou Wolff.

Por ser mais muito e densa, a floresta amazônica, a maior floresta equatorial do mundo, possui maior potencial de estocar água e jogar para a atmosfera – a camada de ar que envolve a Terra, já que as árvores possuem uma capacidade inata de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera pela transpiração.

“Funciona mais ou menos assim: quando chove, a floresta agradece a chuva e engole as gotas de água nas folhas, tronco, escorre uma parte para o solo e as raízes pegam uma porcentagem dessa água e manda de volta para cima. Então, a floresta usa uma grande porcentagem da chuva para reciclar e este volume é diferente de todas as regiões do mundo”, explica o pesquisador.

LabVerde

O LabVerde foi criado pelo grupo Manifesta Arte e Cultura em cooperação com o Inpa, em 2013, para explorar os limites da arte com a promoção de experiências autênticas e confronto entre disciplinas, envolvendo arte, ciência e natureza. O objetivo principal do programa é a criação de conteúdos culturais sobre o meio ambiente, gerados pelo conhecimento teórico e pela experiência prática na floresta amazônica.

Segundo a coordenadora do LabVerde, a curadora Lilian Fraiji, o LabVerde promove uma vivência intensiva na floresta mediada por uma equipe de especialistas nas áreas de arte, filosofia, biologia, ecologia e ciências naturais. Ano passado, o LabVerde levou para o Inpa a exposição “Nem Tudo que Reluz é Ouro” da artista paulista Simone Reis que tratava sobre Terra-Preta-de-Indio.

Além do Inpa – Bosque da Ciência e projeto ATTO, a exposição conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e Villa Amazônia.

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Assuntos Amazonas, Arte, Exposição, Jair Jacqmont
Redação 1 de junho de 2018
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