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Eventos extremos estão relacionados a ação humana, diz ONG

8 de novembro de 2016 Sem categoria
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seca
Estiagem é cada vez mais prolongada na Amazônia e dias estão mais quente, diz ONG (Foto: Greenpeace)

MARRAKESH – Uma das previsões dos cientistas para um mundo mais quente é que serão cada vez mais frequentes e intensos os chamados eventos extremos – muito frio ou muito calor; chuvas e nevascas intensas ou secas severas. Mas já podem ser atribuídos às mudanças climáticas alguns desses eventos que já têm ocorrido em uma quantidade maior do que antes? A Organização Meteorológica Mundial (OMM) acaba de publicar um parecer neste sentido.

O relatório ‘O Clima Global 2011-2015’, divulgado nesta terça-feira, 8, na 22ª Conferência do Clima da ONU, que é realizada em Marrakesh, apontou que há cada vez mais evidências relacionando um com o outro. Eles analisaram situações desse período – os cinco anos mais quentes já registrados, com 2015 ocupando o primeiro lugar – e concluíram que em muitas delas é visível a pegada humana.

Foram examinados 79 eventos extremos individuais que ocorreram nesses cinco anos e, de acordo com a OMM, mais da metade revelou que as mudanças climáticas induzidas pelo homem contribuíram para o evento extremo em questão. Alguns estudos mostraram que a probabilidade de calor extremo aumentou 10 vezes ou mais.

O trabalho analisou pelo menos três eventos no Brasil: a enxurrada com deslizamento de terra no Rio de Janeiro, em 2011 (considerado o evento único deste tipo que teve mais mortes no mundo: mais de 900), a seca em São Paulo, entre 2013 e 2015, e a seca na Amazônia entre 2014 e 2015. Dos três, só o último foi mais fortemente associado às mudanças climáticas, segundo a OMM. “As temporadas de secas intensas e quentes da Bacia Amazônica do Brasil em 2014 e 2015 são motivo de preocupação como possíveis pontos de inflexão no sistema climático”, aponta o relatório, que lembra que a precipitação em Manaus entre junho e outubro de 2015 foi 58% abaixo do normal.

“Embora esta seja normalmente a época mais seca do ano, a precipitação ainda é de 50 a 100 mm por mês, mas os totais de chuvas de 2015 eram mais típicos da estação seca de um clima de savana do que um clima de floresta tropical”, pontua o documento. “As condições secas, com temperaturas geralmente 2°C a 3°C acima do normal, contribuíram para a atividade de fogo muito alta, com o número de incêndios no estado do Amazonas em 2015 em níveis recordes”, destacou.

Sobre a seca de São Paulo, o estudo foi inconclusivo. Em geral, extremos de chuva ou seca são mais difíceis de relacionar, não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Ainda não foi encontrada uma evidência clara”, apontam os pesquisadores. Mas eles alertam que a gravidade do caso foi piorada por ações antrópicas, que aumentaram a vulnerabilidade da região. “A (baixa) precipitação durante o evento não foi extraordinária. Déficits semelhantes ou maiores de 14 meses ocorreram em outras três ocasiões desde 1940, mas os impactos foram exacerbados por um aumento substancial na demanda por água, devido principalmente ao crescimento populacional”, diz o relatório.

Para o mundo, o trabalho concluiu que os casos de temperaturas extremas são os mais facilmente associados às alterações climáticas induzidas pelo homem. Os exemplos incluem o recorde de temperaturas sazonais e anuais nos Estados Unidos em 2012 e na Austrália em 2013, os verões quentes na Ásia Oriental e Europa Ocidental em 2013, ondas de calor na primavera e outono de 2014 na Austrália, calor recorde anual na Europa em 2014 e uma onda de calor na Argentina em dezembro de 2013.

Os eventos de maior impacto foram a seca da África Oriental entre 2010-2012, que estima-se ter matado 258.000 pessoas; inundações no Sudeste Asiático em 2011, que mataram 800 pessoas e causaram mais de US$ 40 bilhões em perdas econômicas; as ondas de calor de 2015 na Índia e no Paquistão, que tiraram mais de 4.100 vidas; o furacão Sandy em 2012 que causou US$ 67 bilhões em perdas econômicas nos Estados Unidos da América, e o tufão Haiyan que matou 7.800 pessoas nas Filipinas em 2013.

“O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global bem abaixo de 2°C e perseguir esforços em direção a 1,5°C. Este relatório confirma que a temperatura média em 2015 já atingiu a marca de 1°C. Acabamos de ter o período de cinco anos mais quente nos registros históricos, com 2015 com o título de ano mais quente. Até mesmo esse recorde provavelmente será superado em 2016”, afirmou em comunicado à imprensa o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

“Os efeitos das mudanças climáticas têm sido consistentemente visíveis na escala global desde a década de 1980: aumento da temperatura global, tanto sobre a terra como sobre o oceano; aumento do nível do mar; e derretimento generalizado do gelo. Aumentaram os riscos de eventos extremos, como ondas de calor, secas, chuvas recordes e inundações danosas”, disse.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Amazônia, Conferência do Clima, ONU
Cleber Oliveira 8 de novembro de 2016
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