
Do ATUAL
MANAUS – Ana Julia Azevedo Ribeiro, esposa de Gil Romero Machado Batista, é procurada pela Polícia Civil do Amazonas por suspeita de mentir em depoimento no caso da morte de Débora da Silva Alves, que tinha 18 anos. O delegado Ricardo Cunha disse que no início das investigações Ana mentiu à polícia sobre o desaparecimento de Débora e agora é considerada foragida.
“A Ana Júlia foi ouvida na delegacia de polícia, ela mentiu no seu depoimento. Diversas contradições foram encontradas. E logo após o aparecimento do corpo, nós tentamos reinquiri-la, oportunidade em que ela já tinha sumido. Ela está atualmente em local incerto e não sabido, razão pela qual entendemos que ela precisa, sim, ser encarcerada, ela precisa responder perguntas. Por essa razão ela teve sua prisão decretada. Atualmente ela é uma pessoa foragida”, disse Ricardo Cunha em entrevista na noite desta quarta-feira (9).
De acordo com a polícia, Débora desapareceu em 29 de julho quando foi ao encontro de Gil Romero para juntos comprarem o berço do bebê. Débora foi encontrada na manhã do dia 3 de agosto, morta e carbonizada, em um área de mata no bairro Mauazinho, em Manaus. A polícia considera Gil o pai da criança.
Gil Romero, um dos suspeitos do assassinato, foi preso na terça-feira (8) em Curuá, no Pará, e transferido para Manaus na noite desta quarta. Ele estava sendo procurado pela polícia após a prisão de José Nilson Azevedo da Silva, conhecido como “Nego”, outro suspeito de envolvimento no crime.
José Nilson e Gil Romero apresentam versões diferentes sobre o que ocorreu no dia do assassinato.
À polícia, José Nilton relatou que no dia do crime Gil Romero chegou ao terreno onde os dois eram vigilantes com a vítima dentro de um carro, já desacordada. Depois, segundo a polícia, os dois atearam fogo no corpo dela dentro de um camburão. Em seguida, o corpo foi jogado na área de mata.
De acordo com a delegada Deborah Barreiros, Gil afirmou que pagou R$ 500 por um “corretivo” (castigo, represália) em Débora para que ela parasse de dizer que ele era o pai da criança, pois ele era “um homem casado”.
“Ele disse que ele, de fato, pegou a jovem para tentar tratar sobre o assunto da paternidade. Disse pra ela que realmente iria comprar o berço da criança. A levou para dentro da usina onde ele estava trabalhando e, no local, deixou ela sob os cuidados de José Nilson. O José Nilson estava acompanhado de outra pessoa que ainda não identificamos”, relatou a delegada.
“Enquanto ele estava com essa jovem, com a chegada do inspetor daquela usina, ele precisou esconder a jovem junto com o José Nilson e essa terceira pessoa dentro do galpão. E foi fazer o seu trabalho que era acompanhar esse inspetor. Ele conta que esse inspetor ficou ali na usina fazendo ronda junto a ele e outros vigilantes por cerca de três horas. E quando ele retornou ao galpão essa jovem já estaria morta”, completou Deborah Barreiros.
Gil disse ainda, segundo a delegada, que ficou desesperado ao ver o corpo da jovem e pediu para que José Nilson e uma terceira pessoa “dessem um jeito naquela situação”.
“Depois ele diz que quem ateou fogo foi o José Nilson em companhia desse terceiro elemento. Essa jovem foi colocada num tonel. Esse tonel foi jogado em uma área de mata. Ele tinha a intenção de na segunda-feira que era seu turno de serviço novamente levar esse corpo para outro lugar, mas como ele foi procurado pela família da jovem e pela polícia ele resolveu fugir porque tinha imaginado que a investigação iria alcançá-lo. Ele não teve a oportunidade de se desfazer do corpo da maneira como pretendia”, disse a delegada.
Para a polícia, o crime foi premeditado. “Por mais que ele diga que essa jovem foi levada para o local de trabalho dele para tratar sobre o assunto de paternidade, é muito difícil que essa versão dele se sustente lá na frente. A intenção dele, para gente, é muito clara: ele tinha a intenção, sim, de exterminar essa jovem e essa criança fruto desse caso extraconjugal que ele tinha”, disse Debora Barreiros.
