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Variedades

Entrevista: Isabelle assume o cocar de Cunhã Poranga do Garantido

7 de novembro de 2017 Variedades
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Isabelle Nogueira recusou convite para defender item do Caprichoso (Fotos: Elcio Farias/Divulgação)

Por Chris Reis, especial para o ATUAL

MANAUS – Após três anos, Isabelle Nogueira deixa a coroa de Rainha do Folclore e assume o cocar, o arco e a flecha da índia mais bela da tribo do Boi Garantido. Na última sexta-feira, 3, Isabelle foi anunciada oficialmente como Cunhã Poranga do“Boi da Baixa”.

Em entrevista ao ATUAL, a índia guerreira fala sobre o item 9 e das melhores lembranças do período como Rainha do Folclore.

ATUAL – Isabelle, conte como foram esses três anos como Rainha (o lado bom e o ruim)

Isabelle Nogueira – Foram três anos de muita aprendizagem, tensão, alegria, choro. Mas, quando entrei nesse sonho ninguém disse que seria só glamour. A única coisa que tinha certeza é que teria a missão e oportunidade de representar meu boi. De qualquer modo, as coisas ruins são superadas por tantas coisas e pessoas boas que conheci.

ATUAL – Quantas vezes antes de ser Rainha tentou ser item do Garantido?

Isabelle – Disputei para “Morena Bela” em 2011 e Porta-Estandarte em 2012 e por fim disputei e ganhei como Rainha em 2014.

ATUAL – Um ex-item do contrário, contou que a convidou para ser item do Boi Azul, há alguns anos. Por que não foi, já que teria aval de um item feminino muito querido? 

Isabelle – Convidou-me para concorrer a Porta-Estandarte. Não fui porque o sentimento de ser Garantido é único. Amo dançar, amo a dança no contexto geral, contudo, ser item não é apenas ser uma bailarina, é ser uma torcedora apaixonada, designada para uma missão. Então, não existia a possibilidade de ser item lá. Falo isso respeitando o sentimento de milhares de meninas que sonham em ser item no contrário.

ATUAL – É verdade que quando era item do Brilhante não usava a cor azul? Por quê?

Isabelle – Não usava. Ate porque acho a cor é azul fria (sem ironia) e o vermelho quente. Pedia para não usar.

ATUAL – Qual sua grande lembrança da arena desses três anos como Rainha do Folclore?

Isabelle – Nossa, uma centena. Porém, lembro de forma especial quando fiz um “parto” na arena. Foi um desafio e um presente ao mesmo tempo. Lembro da ida ao programa “Esquenta”. Chegar lá e representar meu boi e meu povo foi muito especial.

ATUAL – Você escreveu um trecho de uma toada na ficha de inscrição do concurso. Qual e Por quê?

Isabelle – “Minha Fé faz milagres pode acreditar”, da Toada Vaqueiro. Na época era bem atual. Quando decidi me inscrever estava no computador ouvindo essa toada. Essa parte resume tudo que vivo. Muita fé.

ATUAL – Qual será sua inspiração como Cunhã? 

Isabelle – Me inspiro na Verena Ferreira. Dentro e fora da arena, a Verena é única e muito admirada por todos os torcedores, assim como por mim.

ATUAL – E a diferença  em ser Cunhã e Rainha do Folclore?

Isabelle – Na dança é a cênica e o contexto. A Rainha é mais folclórica, tem um leque de opções para trabalhar, enquanto a Cunhã Poranga está inserida no momento indígena. No mais, todos os itens têm o mesmo peso e a responsabilidade de contribuir para dar a vitória do nosso boi.

ATUAL – Como era a Isabelle de 2014 e a Isabelle hoje?

Isabelle – Mudou demais, amadureci. Percebi o quanto o festival é maduro, mas também é paixão e você aguenta ou não aguenta (risos), e para aguentar tem que ter pique mental e físico. Passei a ser mais paciente,  mais madura e mais amor. Tive que entender as críticas positivas e as negativas. Contudo, para chegar nesse nível tive que amadurecer muito (e ainda tenho) e entender que tem gente que critica sem nada positivo.

ATUAL – Faria algo diferente?

Isabelle – Queria ter nascido parintinense. Fora isso não mudaria nada.

ATUAL – Após três anos de ter se tornado Rainha do Folclore do Boi Garantido, como é ser Cunhã Poranga? 

Isabelle – É inacreditável,  pois nunca tivemos uma Rainha do Folclore que se tornou Cunhã Poranga. Ser Cunhã é ser herdeira da glória vermelha sim (risos). Jamais pensei que um dia que seria a herdeira dessa glória encarnada. Ainda não acredito, juro. Esse momento para mim é como um novo amanhecer.

ATUAL – Tem agradecimentos a fazer?

Isabelle – Agradeço a Deus para quem pedia para ser Cunhã Poranga, pois sempre gostei muito do item. Quando a Verena saiu, me aconselharam a ligar  e pedir. Porém, dizia que se fosse eu, quem apontaria era Deus. Então pedia a Ele, que ouviu e tornou real os meus pedidos. Agradeço a minha mãe, que é base de tudo, junto com meu pai e minha família; meus amigos que sonharam comigo; minha Nação Encarnada ; às pessoas que conheço e as que não conheço, que me apoiaram. Agradeço ainda a todos os setores do Boi que estão comigo.

Vamos à vitória, se Deus quiser , em 2018.

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Assuntos Amazonas, Festival de Parintins, Garantido
Valmir Lima 7 de novembro de 2017
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