
Do ATUAL
MANAUS — O advogado Wanderley San, que defende Anabela Cardoso Freitas, presa na Operação Erga Omnes, afirmou nesta segunda-feira (23) que a prisão da cliente é resultado de um “enorme equívoco” e declarou que ainda não teve acesso ao inquérito policial. A operação ocorreu na sexta-feira (20), quando oito pessoas foram presas.
Anabela é investigadora da PC (Polícia Civil) e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ela também foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante) até 2023. Segundo a PC, ela é investigada na operação que apura o chamado “núcleo político” do Comando Vermelho no Amazonas e que movimentou cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresas de fachada.
“A defesa nega todas as acusações que estão sendo reportadas pela autoridade policial. Acreditamos que, inclusive, tudo isso ocorreu de forma muito prematura, de forma equivocada, neste primeiro momento. Uma investigação é necessária para investigar todos os fatos, porém, negamos todas as acusações que estão sendo impostas”, disse o advogado.
A polícia apurou que o grupo movimentou R$ 78 milhões em quatro anos.
No entanto, Wanderley San sustentou que a suspeita não possui vínculo com as pessoas mencionadas como integrantes da organização criminosa investigada. Segundo ele, o único relacionamento diz respeito a uma prestação de serviço específica relacionada à compra de passagens aéreas.
“Ela não possui nenhum vínculo com essas pessoas que estão sendo investigadas. É importante pontuar que ela possui um único vínculo com uma pessoa, de nome Elci”, declarou Wanderley San. O advogado também questionou as informações divulgadas sobre as movimentações financeiras atribuídas à investigada.
“Estão soltando informações de forma seletiva, onde a defesa não consegue entender de onde estão surgindo tudo isso. ‘Qual é essa acusação? Quais são esses valores, qual a data, quem é o beneficiário, quem recebeu?’ Essas são respostas que precisamos ter primeiro da acusação, da autoridade policial”, disse.
Segundo o advogado, os valores mencionados pela investigação não foram destinados ao suposto líder da organização criminosa. “Anabela não recebeu dinheiro nenhum. Esses valores não ocorreram para essa pessoa que está sendo dita como líder dessa organização criminosa. Esses valores correspondem a uma pessoa específica, onde é relacionado à compra de passagem. Isso tem como ser comprovado”, afirmou.
Por fim, reforçou o posicionamento da defesa sobre a decisão judicial. “Trata-se de um enorme equívoco, inclusive, falta de interpretação correta de todos os relatórios que foram apresentados. Demonstra-se nitidamente que foi prematura. Mas, infelizmente, a Justiça caiu ao erro, ao erro que talvez a autoridade policial tenha sido levada”, disse.
Leia mais:
