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© 2022 Amazonas Atual
Dia a Dia

Energia solar livrará consumidor de pagar por escassez hídrica, afirma engenheiro

23 de fevereiro de 2022 Dia a Dia
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Conta de Luz Amazonas Energia
Baixa nos reservatórios das hidrelétricas reflete no valor da fatura de energia (Foto: ATUAL)
Por Iolanda Ventura, da Redação

MANAUS – O investimento em energia solar resolverá o problema da crise energética no Brasil e eliminará a cobrança da bandeira de escassez hídrica, afirma Raimundo Tavares Vieira Neto, engenheiro eletricista. O baixo nível nos reservatórios das hidrelétricas provocada pela redução das chuvas, encarece a conta de energia, diz o especialista, dono da empresa Xtec Solar.

Em vigor desde setembro de 2021 com duração até abril de 2022, a bandeira tarifária escassez hídrica, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), arca com os custos extras do acionamento de usinas térmicas e da importação de energia para complementar a produção das hidrelétricas e atender a demanda de energia do país. A conta é paga pelo consumidor.

A cobrança da bandeira de escassez hídrica é de R$ 14,20 a cada 100 quilowatt-hora consumidos. Ela substituiu a bandeira vermelha patamar 2 de R$ 9,49/100 kWh. Em duas faturas de energia a que o ATUAL teve acesso, referentes ao mês de janeiro deste ano, a escassez hídrica custou aos consumidores R$ 90,99 e R$ 57,20.

Raimundo Neto afirma que é fundamental o investimento em energia solar e outras fontes renováveis para acabar com a crise hídrica no país. Segundo o engenheiro eletricista, empregar as alternativas limpas podem eliminar a cobrança da bandeira de escassez hídrica.

“Se o governo investe em energia solar, eólica, ele poderia até cobrar do cliente. Ele criaria uma taxa lá, bandeira por ajuda de custo da energia GD [Geração Distribuída], mas seria uma coisa pontual, porque é um investimento que você faz que daqui a cinco anos o retorno está de volta. Eu tenho certeza que a própria população brasileira entenderia e pagaria, porque saberia que daqui a cinco anos teria o retorno e não teria mais essas cobranças”, disse.

O engenheiro eletricista afirma que a instalação de uma usina termelétrica com potência de 5 megawatt custaria R$ 25 milhões, enquanto uma usina solar com a mesma capacidade sairia por R$ 18 milhões.

Outro agravante na produção de energia pelas termelétricas é a vinculação ao preço do petróleo, por usar o combustível fóssil para funcionar. “É fato que se o governo investe em energia solar ele vai ter esse resultado naturalmente por anos e anos e a gente acaba com essa questão do ‘subiu o [valor] do barril de petróleo, subiu tudo’”, disse.

A durabilidade da fonte de energia também é considerada. “Porque quando você aciona uma termelétrica você está fazendo uso de combustível fóssil, que a gente sabe que está no fim da vida. E o sol não, o sol é permanente”, explicou.

De acordo com o especialista, os equipamentos usados em uma usina de energia solar têm vida útil mínima de 25 anos.

Na avaliação de Raimundo Neto, a falta de incentivos nessa matriz energética envolve interesses políticos. “É como se eu estivesse dando o seguinte conselho ‘governo, investe aí em usinas solares, nessa energia renovável, na energia eólica, na GD [geração distribuída] que fatalmente o Brasil vai viver em paz com a questão da crise energética’. Mas aí, por um questão política talvez, não sei, ainda preferem investir em termelétrica, em combustível fóssil”, pontuou.

O engenheiro explica que embora estados como o Amazonas não sofram com a falta de chuva, ainda pagam o adicional de escassez hídrica por ser um sistema interligado. “[…] os níveis dos reservatórios lá no Sul baixaram, porque aqui não para de chover, mas como estamos ligados ao sistema nacional de energia, somos obrigados a entrar no rateamento e pagar essas cotas”.

Raimundo Neto considera que o investimento em energia renovável é a única maneira de não passar mais uma carga financeira para o consumidor na cobrança de energia.

O advogado Nicolas Gomes, presidente da AADCAM (Associação dos Advogados Defensores do Consumidor Amazonense), afirma que não é possível afirmar que a bandeira de escassez hídrica é uma cobrança indevida, uma vez que a própria Aneel chancelou a referida cobrança.

“Noutro ponto, faltam políticas públicas de investimento na matriz energética para que tais crises não afetem diretamente o consumidor, o qual já vem sendo açoitado com diversos custos (gasolina, alimentos, etc). A Aneel deve prestar contas com a população sobre a cobrança da bandeira de escassez hídrica, sob pena de agravamento da crise econômica”, complementou Gomes.

O advogado entende que para combater o encarecimento da conta, é preciso investir diretamente na geração de energia. “Inclusive o investimento em geração de energia solar”, citou.

hidrelétrica
Adicional de escassez hídrica é para compensar baixa em reservatórios de hidrelétricas, segundo a Aneel (Foto: Caio Coronel/Itaipu)

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Assuntos crise hídrica, energia elétrica, Energia solar, fatura de energia, manchete
Redação 23 de fevereiro de 2022
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