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Economia

Empresas organizam de jantares de luxo a passeios de helicóptero no litoral

21 de janeiro de 2022 Economia
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Contaminação por cocaína nas praias de Santo é maior durante o carnaval (Foto: Divulgação)
Praia de Santos (Foto: Divulgação)
Por Paulo Ricardo Martins, da Folhapress

DUQUE DE CAXIAS – Novas empresas de turismo estão se especializando em atender clientes dispostos a pagar por serviços de luxo em cidades no litoral. Semelhante ao que faz o concierge em um hotel, esses negócios selecionam parceiros para suprir demandas dos consumidores nas áreas de gastronomia, lazer e bem-estar.

Entre as atividades oferecidas estão aula de ioga, organização de festas, passeios de barcos ou helicópteros e jantar com personal chef (especialista em gastronomia que oferece serviços para um grupo de pessoas).

Em Bertioga, cidade do litoral paulista, sócios da Riviera Concierge tentam atender a todo tipo de pedidos feitos pelos clientes desde 2020, quando começou a funcionar.

Locação de barcos e contratação de personal chefs são as atividades preferidas dos frequentadores das casas, apartamentos e condomínios à beira-mar na praia de Riviera de São Lourenço, afirma Felipe Rangel, de 36 anos, um dos sócios da empresa.

Mas também há procura por massagens, serviços de salão de cabeleireiro, de personal trainer e até organização de festas privadas e passeios para outros estados.

“Se o cliente precisar de uma professora de mandarim, nós vamos atrás dela”, diz.

O litoral ainda é uma área que está se desenvolvendo e tem pouca oferta de serviços, segundo os sócios da empresa. Por isso, os empresários mantêm 80% da equipe vinda da capital, segundo eles, garantindo a entrega e não afetando a qualidade.

Alguns jantares são preparados por chefs famosos, como Jefferson Rueda, da Casa do Porco, conhecido restaurante na região central de São Paulo. Outras atividades podem ser acompanhadas por concierges da empresa e contar com diversos tipos de funcionários, entre eles manobristas, que prestam serviços para algumas viagens de barcos.

Para eventos, Felipe conta que as experiências são distintas, dependendo de cada cliente. Enquanto alguns consumidores são menos rigorosos e deixam tudo a cargo da equipe, outros preferem ver tudo de perto.

“Tem cliente que acompanha a escolha da louça, do talher, do guardanapo, da toalha, do arranjo”, diz.

A empresa faz a intermediação de todo serviço que o cliente quer e cobra uma taxa que geralmente fica em torno de 15%. Caso um massagista cobre R$ 100 para uma massagem solicitada, por exemplo, o valor final do cliente será de R$ 115, com acréscimo do trabalho prestado pela Riviera Concierge. O negócio tem entre R$ 50 mil e R$ 200 mil de entrada no caixa por mês.

Com uma gama de atividades diversas, a Riviera Concierge oferece opções que se adequam ao valor que o consumidor está disposto a gastar, obedecendo a três faixas de preço: serviços de até R$ 10 mil; entre R$ 10 mil e R$ 50 mil e acima de R$ 50 mil.

No começo da pandemia, em 2020, muitas pessoas passaram longos períodos no litoral, o que impulsionou as solicitações dos serviços e as mantiveram estáveis, diz Katherine Sresnewsky, de 37 anos, também sócia do negócio. Já em 2021, ela afirma que a sazonalidade se tornou mais forte.

Normalmente, a Riviera Concierge recebe de 20 a 30 pedidos por mês, mas esses números se transformam em cerca de cinco a sete pedidos por dia no final do ano, devido às festas de Natal e Ano-Novo.

André Cauduro D’Angelo, autor de “Precisar, Não Precisa” (Ed. Lazuli, 115 páginas, R$ 42,00), sobre marketing no mercado de luxo, e estudioso do ramo há 20 anos, recomenda que empreendedores deste setor procurem formas de diluir essa sazonalidade ao longo do ano.

O especialista sugere que esses empresários comecem a migrar de ponto dependendo da época do ano, investindo, por exemplo, em ofertas para as cidades grandes.

“O negócio do concierge pode deixar de ser definido como ‘ajudar nas férias’ e passar a ser definido como ‘ajudar'”.

Segundo o professor, quanto mais concorrido for o lugar em que a empresa escolha se instalar, mais chances há de que o profissional consiga espaço para seu negócio. “O principal é conhecer bem os destinos e ter uma boa rede de contatos”.

Para o ramo de concierge, D’Angelo ainda não vê muita disputa no Brasil, principalmente porque esse tipo de oferta se limita a hotéis de alto padrão.

Entretanto, com a nova tendência trazida pelo Airbnb e plataformas semelhantes de aluguel de casas e apartamentos, o turista quer viver a cidade, mais do que visitá-la, afirma. Isso significa dizer que os visitantes estão começando a procurar hospedagem, sobretudo, em imóveis alugados. O novo cenário pode impulsionar os serviços de concierge.

“Alugando imóveis e contratando o concierge, tem-se um pouco do melhor dos dois mundos: estar inserido entre a população local, mas sem abrir mão de certos confortos e soluções práticas”.

No Rio de Janeiro, a Brazil Exclusive Travels, que também oferece serviços de concierge desde 2016, encontrou outras maneiras de manter a competitividade em uma cidade onde a rede hoteleira já é bem desenvolvida.

Além dos serviços prestados diretamente para turistas que estão hospedados na região, responsáveis por 20% da demanda, o negócio também estabeleceu parcerias com imobiliárias como a Where In Rio, que tem foco no setor de luxo e trabalha com 250 propriedades no estado do Rio. Essas colaborações correspondem a 40% do faturamento; o restante é obtido por meio de organização de viagens para corporações.

Nas parcerias, as imobiliárias oferecem, além do aluguel da casa e do apartamento, outras atividades para os turistas. Toda vez que o hóspede deseja algum serviço do tipo, a Brazil Exclusive Travels é acionada para cuidar do que foi solicitado.

A capital fluminense é o principal mercado para o serviço de concierge da empresa, mas ela também atua em lugares como Salvador e Trancoso (BA), Fernando de Noronha e Balneário Camboriú (SC).

Segundo o dono da empresa, Camille Micault, de 32 anos, os pedidos mais frequentes têm sido de voos panorâmicos e de passeios de barco, que incluem locais como Angra dos Reis e Búzios.

Micault diz que também busca atender outras solicitações menos comuns, como queima de fogos e até performance de acrobatas.
“Os desejos dos clientes não têm limites e, por isso, precisamos procurar o maior número de fornecedores possível”.

De acordo com um levantamento dos preços cobrados pelo empreendimento, os valores podem variar de R$ 300, numa massagem simples, até R$ 65 mil, para aluguel de barcos grandes.

Durante a pandemia, houve preferência para atividades no interior da própria estadia, diz o empresário, o que tornou serviços como massagens em domicílio e jantares privados mais requisitados.

Neste ano, outro empreendimento que oferece serviço de concierge, batizado por ora de One Club Concierge, deve entrar em operação no litoral paulista. Nesta etapa do projeto, seus idealizadores, Nelson Shimabukuro, de 55 anos, professor de administração e negócios do Mackenzie, e o empresário Thiago Nascimento, 39, estão mapeando a demanda em regiões como Riviera de São Lourenço e Guarujá.

O público-alvo também é o visitante em busca de atendimento personalizado, que, de acordo com Shimabukuro, quer ter conforto e luxo sem se expor e, por isso, prefere ter alguém que cuide dos mínimos detalhes.

Dentre os serviços que pretendem oferecer, estão seleção de compras de produtos exclusivos com curadoria, passeios em iates, pesca esportiva, mergulho e mordomo.

Se o negócio se consolidar na região litorânea de São Paulo, o professor diz que pretende expandi-lo para a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, além de Santa Catarina e sul da Bahia.

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Assuntos helicóptero, Jantar, litoral, Luxo, turismo
Murilo Rodrigues 21 de janeiro de 2022
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