
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – O deputado estadual Delegado Péricles (PSL) afirmou em reunião da CPI da Saúde nesta sexta-feira, 10, que a empresa do secretário executivo de Saúde da Capital, Thales Schincariol, identificada com as iniciais do nome dele, propôs o preço mais caro por plantões no Hospital Nilton Lins dias antes ele de assumir a direção do hospital.
A proposta foi oferecida em cotação de preços da Susam (Secretaria de Estado de Saúde) em caráter emergencial para contratação de empresa especializada na realização de serviços médicos em clínica médica, em regime de plantão. O Governo do Amazonas informou que o processo de dispensa de licitação no qual a TS Schincariol participou foi cancelado.
Documentos ao qual o ATUAL teve acesso mostram que no dia 13 de abril deste ano, às 14h25, uma servidora da gerência de compras da Susam enviou solicitação de cotação de preço para o e-mail de uma das sócias da empresa TS Schincariol. No mesmo dia, às 20h28, a empresa respondeu o e-mail da Susam.
A TS Schincariol apresentou a proposta de R$ 2.691,97 por plantão, portanto, R$ 2.422.773 por mês referente a 5.400 plantões. O valor total dos plantões por seis meses somaria R$ 14.536.638. A proposta foi a mais cara entre as três que foram apresentadas.
Além da TS Schincariol, apresentaram proposta as empresas Sasmet e Líder Serviços. A primeira cobrou R$ 1.880 por plantão, ou seja, R$ 1.692.000 pelos 5.400 plantões no mês e R$ 10.152.000 pelos seis meses de serviços. A segunda empresa pediu R$ 1.875 por plantão, o que daria R$ 1.687.500 por mês e R$ 10.125.000 no semestre.

Para o Delegado Péricles, a participação de Schincariol é suspeita. “Isso é mais um motivo para nós nos assustarmos porque a Susam pede uma cotação de uma pessoa que, se não naquele momento estava como diretor, dias depois ele assumiu como diretor do Hospital Nilton Lins e hoje ele é o secretário executivo da capital”, afirmou.
Péricles também disse que a proposta da TS Schincariol “é mais para cobrir a outra e ter como parâmetro para que se coloque um valor maior”.
Procurada pela reportagem, a Susam informou que esse processo de dispensa de licitação foi cancelado para a realização de adequações técnicas e que uma nova dispensa para a contratação do serviço foi realizada no mês de maio, em que a TS Schincariol não participou e foi escolhida a proposta de menor valor.
A Susam também informou que, na data do primeiro processo licitatório, Thales Schincariol não ocupava nenhum cargo ou prestava qualquer serviço ao Governo do Estado e assumiu a direção da unidade após a inauguração, no dia 18 de abril.
Leia a nota na íntegra:
A Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (Susam) informa que o processo de dispensa de licitação aberto no início de abril para a contratação de empresa médica que prestaria serviço ao Hospital de Combate ao Covid-19, em que a empresa TS Schincariol participou, de propriedade do atual secretário executivo adjunto de Assistência Especializada da Capital, Thales Schincariol, não teve validade.
O processo de dispensa de licitação, em que a empresa TS Schincariol ficou em terceiro lugar, foi cancelado para a realização adequações técnicas e uma nova dispensa para a contratação do serviço foi realizada no mês de maio, em que a referida empresa não participou e foi escolhida a proposta de menor valor.
Vale ressaltar que, na data do primeiro processo licitatório, o atual secretário executivo da Capital e ex-diretor do Hospital de Combate ao Covid-19, não ocupava nenhum cargo ou prestava qualquer serviço ao Governo do Estado, tendo assumido a direção da unidade após a sua inauguração, em 18 de abril.
